Questões clínicas estão complicando casos comportamentais simples? Alie-se ao veterinário!

Rafael Lopes, adestrador de São Paulo, conta que foi chamado para treinar Nana (Yorkshire) e sua irmã, Nina (Labrador). A Nana, graças a uma cegueira repentina, decorrente de um tumor próximo à base do cérebro – desencadeado pela doença hiperadrenocorticismo –, passou a urinar em todos os locais da casa, o que, de certa forma, estimulou Nina a também se comportar assim.

“Esse problema da York causa aumento de produção do cortisol pelas glândulas adrenais. Como consequência do crescimento do nível circulante desse hormônio, temos a manifestação de sinais, como o consumo exagerado de água, aumento na frequência urinária, muito apetite e ganho de peso”, explica o profissional, que já está com esse caso há nove meses.

Como Rafael conseguiu manter o adestramento, mesmo a questão sendo diretamente ligada a problemas de saúde? Simples! Ele persistiu e trabalhou em conjunto com o veterinário!

“Ainda que os treinos não tivessem avanço rápido, existiam acertos, o que nos motivou a seguir em frente. Em diversas conversas com os tutores, sentimos que uma evolução completa dependia da ‘estabilidade’ do quadro e da diminuição da manifestação dos sinais clínicos da doença, então, esperamos e fomos trabalhando.”

Os cuidados do veterinário, somados à continuidade dos treinamentos, já diminuíram cerca de 75% o problema em relação ao início do adestramento. “Quando a doença foi descoberta, foi recomendado à tutora o fornecimento de uma ração rica em fibras na alimentação da Nana. O problema é que esse tipo de alimento causa mais sede no animal, resultando no aumento da compulsão dele por água!”, diz.

No último mês, a tutora comentou sobre a possibilidade de mudar a alimentação da Nana de ração para a natural. “A veterinária e eu apoiamos a mudança, pois o alimento natural, por ser hidratado, poderia minimizar a compulsão da cachorrinha por água. Como resultado, estamos observando uma diminuição no ímpeto do consumo de água por ela.”

Agora, com essas questões todas se regularizando, os treinos estão cada vez melhores e o profissional tem conseguido mais sucesso com a aluna. “É fundamental o acompanhamento do veterinário em um caso como esse. Era bastante claro para mim que a doença atrapalhava a rotina da Nana, porque, de maneira geral, ela respondia bem aos estímulos!”

A Nina, que não tinha a doença, acabou “copiando” a Nana e começou a urinar por toda a casa. “Ela estava respondendo bem aos treinos, mas, infelizmente, faleceu no início do ano por causa de um câncer”, lembra Rafael.

De qualquer forma, a lição de Nana finalmente está sendo aprendida: xixi, só no tapete higiênico!

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