Como apresentar cães e gatos a outros animais?

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Já faz tempo que o mito de que cães e gatos não se dão bem foi desbancado, porém, ainda existem pessoas que acreditam que esses animais não se dão bem com outras espécies como, por exemplo, pássaros, hamsters, minipigs, entre outros.

De acordo com a adestradora e consultora comportamental da equipe Cão Cidadão, Malu Araújo, a história é outra. “É possível, sim, que animais de espécies diferentes convivam em harmonia”, afirma. “Quando o treino de apresentação é feito com os pets ainda filhotes, essa convivência se torna mais fácil. Caso algum deles já seja adulto, não tem problema. O mais importante para tornar essa convivência tranquila é contar com a ajuda de um profissional”, completa.

Para isso, a especialista dá algumas dicas. Segundo Malu, o dono que desejaa apresentar um cão ou gato a animais de outra espécie não podem ter pressa. O processo deve ser feito com calma, paciência e segurança, sempre pensando no bem-estar de todos os bichinhos envolvidos.

• Não force a relação!
Antes de mais nada, é importante ressaltar que não se deve forçar a relação entre os animais. Não tenha pressa para deixá-los juntos. O início do treinamento deve ser com os pets separados e, aos poucos, eles devem ser colocados juntos, para se conhecerem.

• Distância segura
Nos primeiros dias, introduza-os à presença do outro com certa distância, utilizando a caixa de transporte ou na guia. Gradualmente, faça a aproximação.

• Coisas boas
Sempre associe a presença do outro a coisas bem legais, como um petisquinho. Isso fará com que eles associem a presença do outro bichinho com algo que eles gostam e, assim, aos poucos, eles começarão a se sentir mais confortáveis com as interações.

Caso não se sinta à vontade em fazer essa apresentação, conte com o suporte de um adestrador. Além de orientar e supervisionar esse contato, o profissional indicará quais são os cuidados que devem ser tomados. “Ele tem o olhar mais treinado para analisar como os pets estão, através de expressão corporal, vocalização e outros sinais, garantindo que nenhum dos bichinhos fique estressado durante o processo de apresentação”, reforça Malu.

Gostou desta dica? Se quiser contratar os profissionais em comportamento animal para realizar o adestramento, fale com a Central de Atendimento da Cão Cidadão, pelos telefones: 11 3571-8138 (São Paulo) e 11 4003-1410 (demais localidades).

Herança dos lobos

Photo credit: Tambako the Jaguar / Foter / CC BY-ND
Photo credit: Tambako the Jaguar / Foter / CC BY-ND

Por Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal. Colaborou Daniela Ramos.

O que faz de certas raças, como rottweiler, dobermann, pastor alemão e mastim, entre outros, verdadeiros vigilantes natos? Diversas especulações têm sido feitas a respeito do temperamento naturalmente agressivo de certos cachorros. É fato que cães exibem comportamentos agressivos diante de dor, medo ou frustração, numa interação competitiva e, principalmente, na tentativa de defender seu território ou uma posição hierárquica ameaçada. Fatores como idade, sexo, ambiente e até alguns hormônios exercem influência.

Quando são treinados para isso e, principalmente, quando a herança genética ajuda, o desempenho deles é ainda mais eficiente, e tais cães tornam-se agressores em potencial. Entretanto, o que faz de certos animais grandes guardiões de sua casa, sua família e seu dono é o fato de apresentarem uma natureza protetora. Ou seja, eles defendem a casa e a família mesmo sem terem sido treinados para tal.

Para tentarmos entender a origem dessa agressividade territorial e protetora tão evidente em alguns cães é preciso rememorar as origens de algumas raças caninas e, principalmente, investigar e compreender melhor como se dá esse comportamento entre os lobos, já que esses são os ancestrais caninos. Os lobos se organizam em alcateias e, normalmente, o lobo que poderíamos chamar de “líder” é responsável pela segurança, guarda e proteção de todo o grupo, além da vigilância do território. Na tentativa de manter o grupo unido, ele exibe comportamentos desafiadores aos intrusos, o que causa ainda mais admiração por parte do outros membros da alcateia. Assim, essa habilidade presente nos cães domésticos pode ter sido herdada de seus ancestrais.

E por que algumas raças são mais agressivas que outras? Embora não possamos generalizar, a maior aptidão de certas raças para a vigilância territorial e proteção teve origem nos antepassados. O rottweiler, por exemplo, foi inicialmente usado como boiadeiro de rebanhos, puxador de carroça e, principalmente, como guarda do Império Romano. Já os tataravôs do fila brasileiro caçavam escravos fugidos. Os antepassados do pit bull tiveram grande participação na luta contra touros em espetáculos semelhantes às touradas. Mais tarde, o palco foi substituído pela arena das rinhas de cães. Assim, o temperamento de cada raça foi sendo selecionado através de diversas gerações, aumentando ou diminuindo determinadas habilidades e potenciais agressores.

Felizmente, essa predisposição genética pode ser, até certo ponto, moldada por treinamento e pelo proprietário. Não se iluda que qualquer cão pode se tornar manso e 100% confiável simplesmente porque você irá dar muito carinho e contratar um bom adestrador. Se você já tem um micro poodle que ataca toda a família e ninguém tem coragem de tirá-lo do sofá, pense duas vezes antes de comprar um filhotinho de rottweiler. Os melhores cães de guarda costumam ser os mais dominantes e os mais destemidos. Portanto, o controle muitas vezes é dificílimo para donos não muito rigorosos e firmes.

Como os animais ouvem?

Photo credit: Aidras / Foter / CC BY-ND
Photo credit: Aidras / Foter / CC BY-ND

De acordo com o zootecnista Alexandre Rossi, cada animal está programado para ouvir em uma determinada freqüência. Muitos deles, inclusive, são capazes de distinguir ultra e infra-sons, imperceptíveis para os humanos. Os elefantes, por exemplo, escutam os gravíssimos infra-sons, presentes em tremores de terra, em alguns ruídos que emitem pela tromba, etc.

Os gatos e cachorros, por sua vez, ouvem ultra-sons, agudos demais para as pessoas, e, assim, são capazes de escutar até os ruídos que os ratos fazem entre si. “Para animais que vivem da caça, esta capacidade é primordial, pois o ultra-som possibilita que detectem com precisão a localização da presa”, afirma Rossi.

Ele também chama a atenção para o tubarão: “mais do que simplesmente ouvir, este animal sente estímulos elétricos, que denunciam até um coração batendo a alguns metros de distância”. Rossi lembra que algumas espécies chegam a se orientar especialmente por intermédio do som: morcegos e golfinhos utilizam um sistema de emissão e recepção de ultra-sons para “desenhar” o espaço onde estão e se deslocarem com facilidade. 

O zootecnista também cita os pássaros que, algumas vezes, são capazes de ouvir larvas dentro da madeira ou minhocas cobertas por dez centímetros de terra.

Como acostumar o papagaio a diversas pessoas

A maioria dos papagaios acaba se apegando a apenas uma pessoa da casa. Mas, com algumas dicas, esse comportamento pode ser melhorado e, assim, todo mundo poderá usufruir da companhia da ave.

Confira algumas dicas do especialista em comportamento animal, Alexandre Rossi:

– Primeiro, se aproxime da gaiola de uma maneira que você não fique submisso ao pássaro, ou seja, não demonstre medo ao se aproximar do bichinho.

– Busque se aproximar por cima, deixando a gaiola do bichinho um pouco abaixo do seu tamanho. Caso a gaiola esteja em uma altura maior do que a sua, o papagaio vai achar que você é submisso a ele.

– Transforme a aproximação em algo agradável. Uma boa dica é deixar uma fruta ou até sementes de girassol próximo à casinha dele. Assim, toda vez que alguém chegar perto, vai entregar o alimento a ele e, então, aos poucos, ele se acostumará com todos.