Como o adestramento pode ajudar o relacionamento da família

Photo credit: Amy Loves Yah / Foter / CC BY
Photo credit: Amy Loves Yah / Foter / CC BY

Por Katia de Martino, adestradora da equipe Cão Cidadão.

Há até algumas décadas, o cão era visto pela família como um animal responsável pela guarda da casa, que se alimentava com comida caseira, por muitas vezes, resto do almoço ou jantar, e ficava apenas no quintal. Ou seja, o vínculo humano-cão era bem restrito.

Hoje, em grandes metrópoles, as pessoas vivem em apartamentos ou casas menores, fazendo com que o contato com o cão seja muito mais próximo. Com isso, os problemas de comunicação começam a aparecer com maior frequência.

Os cães têm uma comunicação própria, nem sempre identificada e/ou compreendida pelo homem. É essa falta de entendimento que leva a problemas comportamentais.

O adestramento é a melhor ferramenta para ajudá-lo a lidar com isso. Sua principal função é melhorar o convívio entre cães e seus donos, proporcionando um melhor relacionamento. Mostrar para o homem os sinais que o cão está emitindo e apresentar para o cão o que seu dono quer, tornando a comunicação mais fluida.

Muitas vezes, se escuta sobre o adestramento frases como: “Não quero que meu cão seja de circo, eu só quero que ele me obedeça”; “Adestramento é para cachorros grandes, de guarda e o meu é bonzinho”; “Tenho medo de que meu cão não goste mais de mim”.

De fato, seu cachorro será treinado por meio de truques e recompensas, porém, isso estimula tanto física como mentalmente o seu cão. Essa é a melhor ferramenta para trabalhar com a comunicação de duas espécies completamente distintas, com uma convivência cada vez mais estreita.

Com treinos de comandos, passeios, socializações e brincadeiras, treinamos limites e autocontrole. Reforçamos o comportamento correto e alteramos o errado.

O adestrador pode te orientar sobre a melhor atividade para o seu cão, a como se exercitar tendo seu pet como companheiro, ou então, a como fazer para que ele aprenda a obedecer e a respeitar os limites.

Aos poucos, a sintonia entre vocês ficará cada vez melhor, proporcionando um bem-estar para vocês e todos a sua volta.

O que levar em consideração ao adotar um cão para fazer companhia a outro

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Com a correria do dia a dia, muitos donos se sentem em dívida com os seus bichinhos de estimação. O medo de que eles se sintam sozinhos impulsiona diversos tutores a considerar a adoção de outro animal.

O problema é que muitas pessoas não pensam antes de tomar essa decisão e acabam se frustrando quando o novo cãozinho chega em casa e a amizade entre os dois acaba não aflorando, por diversos motivos.

É importante que os tutores tenham conhecimento de que os cães são, sim, animais que precisam de companhia. “Sabemos que os cães vivem em matilhas, uma sociedade bem organizada, com companhia o tempo todo”, explica o adestrador da Cão Cidadão, Tiago Mesquita. “Um cão que faz companhia ao outro de forma amistosa é sempre bem-vindo. Poderão passar o seu tempo se organizando socialmente com brincadeiras, diversões, aprendendo e enriquecendo ainda mais o ambiente.”

Adotar ou comprar outro bichinho para fazer companhia ao seu peludo é uma boa ideia, mas que deve ser executada com cuidado e atenção.

Para tomar essa decisão, é necessário considerar se é possível dar atenção aos dois cães. Ambos precisarão de muito amor, carinho, cuidados com a saúde, ração, banho, tosa etc. “Temos que observar se ele é o indivíduo certo para o seu estilo de vida e também verificar se o cãozinho poderá acompanhar o ritmo do outro que já está sob a sua tutela”, complementa Mesquita.

Apresentação

Depois de encontrar o seu mais novo amigão, é preciso preparar o seu outro peludo para a novidade. O momento da apresentação entre os dois animais é crítico e deve ser feito com cuidado, para evitar problemas.

“Diversas situações podem acontecer, como o dono forçar a apresentação de um cão que está com medo a outro mais agitado. Isso pode causar repulsa entre eles”, explica o adestrador. “Geralmente, algumas pessoas acabam se frustrando e cometem mais erros do que acertos nesse momento”, acrescenta.

Para evitar problemas, existe um ingrediente infalível: paciência. Cães estão sempre aprendendo, porém, alguns precisam de mais tempo do que outros.

Como escrito em outros artigos, a apresentação entre cães deve ser feita em um local neutro. Mas, por quê? Essa atitude faz com que o cão antigo não se sinta ameaçado e associe o novo cãozinho a coisas boas, como passeios e brincadeiras divertidas.

Um dos maiores erros que os tutores cometem é levar o novo cãozinho direto para casa, deixando-o livre para se aproximar do que já está ali há mais tempo.

Procure apresentá-los em uma praça ou em um parque, durante um passeio que o seu cachorro já goste. Deixe que eles se aproximem no tempo deles, respeitando os limites de cada um. “Uma associação positiva pode ser bem legal para que essa amizade flua de maneira correta”, enfatiza o adestrador.

Adestramento

Quando o adestramento é para dois cães, alguns ajustes precisam ser feitos. “A técnica em si não muda. O que muda é o plano de aula. O treinamento básico será aplicado para os dois e os problemas de comportamento serão tratados individualmente, melhorando a harmonia entre cães e donos”, comenta Mesquita.

Assim, quando for adotar outro cão, procure a ajuda de um profissional de comportamento animal, para que ele possa analisar a situação e encontrar a melhor maneira de realizar essa transição, mantendo os dois peludos seguros e respeitando o limite de cada um.

E lembre-se: a nossa companhia é insubstituível para os nossos cãezinhos. Organize-se para ficar com os seus amigos em momentos do dia.

Como evitar a fuga de cães

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Quando se trata da fuga de cães, os motivos podem ser diversos. Basta apenas uma brechinha no portão ou um descuido na hora de entrar ou sair com o carro da garagem, que pronto!

O pet pode ter sido atraído por um barulho diferente e resolveu investigar, pode ter avistado outro animal e, assim, decidiu persegui-lo etc.

Além de ser um momento muito triste e estressante para o dono, a fuga de cães representa um grande perigo para a vida deles. As chances de acidentes e atropelamentos, infelizmente, existem, ainda mais com tantos atrativos, cheiros e diferentes estímulos ao redor.

Como evitar?

Plaquinha de identificação

Antes de qualquer coisa, é preciso saber que a identificação dos cães é muito importante para garantir a segurança deles. Uma plaquinha na coleira, com o nome e o telefone do dono, pode fazer a diferença caso o pet se perca e alguém o encontre.

Estabeleça limites

Você pode ensinar o seu cão a não sair pelo portão sem a sua autorização. Pode parecer algo difícil, mas, com paciência, persistência e reforço positivo, você conseguirá!

1. Comece o aprendizado usando a guia. Aproxime-se do portão, brinque com o cão e vá para a rua. Ele naturalmente te seguirá, então, com a guia, impeça-o de sair e diga “Não!”.
2. Repita esse exercício algumas vezes, até que o cão tenha compreendido o que se espera dele e se recuse a ir para a rua. Quando isso acontecer, não se esqueça de elogiá-lo e recompensá-lo com algo que ele goste bastante!
Importante: não permita que o cão saia para a rua, para depois corrigi-lo. Você não pode repreender o cão por obedecê-lo!
3. Jogue um brinquedo que ele goste na calçada e aguarde pela reação dele. Mantenha-o, claro, preso à guia! Caso ele tente buscá-lo, frustre a tentativa.
4. Repita o exercício várias vezes e o recompense sempre que ele se manter firme e não sair.

Animais perdidos

Infelizmente, alguns donos estão à procura de seus bichinhos, que se perderam. Se você encontrar algum desses animais, entre em contato o quanto antes. Eles estão cadastrados no site Cachorro Perdido, parceiro da Cão Cidadão.

 

O que fazer para evitar buracos no jardim

https://pixabay.com/pt/users/tookapic-1386459/
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Por Malu Araújo, adestradora e consultora comportamental da equipe Cão Cidadão.

Qualquer pedacinho de grama ou terra em casa, ou até mesmo um jardim em um apartamento, pode se tornar um possível alvo dos cães que amam cavar! Filhotes e adultos têm esse hábito, e a primeira coisa que os donos precisam entender é que esse é um comportamento natural do pet. Não é uma reclamação ou vingança revirar terra. Os cães também cavam para brincar, esconder seus “tesouros”, como ossinhos e brinquedos, e para gastar energia.

Para diminuir esse comportamento, os donos devem desviar a atenção do cachorro para outras atividades, realizar passeios mais longos, caminhadas no parque, oferecer brinquedos interativos com os quais ele vai brincar e gastar energia, entre outras iniciativas que o distraiam. Essas são as principais ferramentas para mudar esse comportamento.

É recomendado também não deixar o pet sozinho na área que tenha essa parte do jardim que ele não deve mexer. Mas, caso não seja possível, colocar spray amargo é uma das alternativas para diminuir a frequência da destruição. Outra técnica esquisita, mas eficaz, é enterrar as fezes do cão nos buracos que ele fez – isso não vai deixar odor ou oferecer prejuízo para as plantas, mas o cão se sente desestimulado a mexer ali novamente. Cercar o local sempre que possível também é uma dica.

Se houver no jardim alguma parte em que seja permitido ao cão cavar, deixe esse espaço livre dos itens que o repelem e elogie, brinque com ele sempre que ele estiver no local. Supervisione no início, para que no meio da brincadeira, empolgado, o cachorro não desvie para a parte proibida.

Quando o dono planta e mexe muito no jardim, muitos cães cavam por imitação e porque naquele espaço tem o cheiro dos donos. Portanto, se essa é uma rotina na casa, procure cuidar das plantas quando seu cachorro estiver entretido com outra atividade.

Festas de fim de ano e a ansiedade de separação

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ansiedade

Os cães têm a princípio uma justificativa biológica para a ansiedade de separação. São animais sociais e que trazem na sua herança, desde que eram lobos, a necessidade de viverem em grupos, para caçarem, se defenderem e para garantirem sua sobrevivência. Então, é muito natural, que, ainda hoje, mesmo que domesticados, eles conservem essa necessidade de não querer ficar sozinhos.

Claro que, para alguns cães, isso pode ser mais acentuado por várias razões: desde uma separação precoce da ninhada no nascimento até o reforço dessa necessidade de companhia pelo próprio dono, acentuando essa hiper vinculação.

Diagnosticamos a ansiedade de separação a partir de vários comportamentos que o cão demonstra quando está sozinho ou na ausência de uma determinada pessoa da casa: comportamentos compulsivos, lambedura excessiva (automutilação), latidos excessivos, micção e defecação desordenada ou ausente por longo período, destruição de objetos, salivação excessiva, inapetência etc.

Como ajudá-los?

O ideal é que haja um tratamento preventivo para a ansiedade de separação. Desde os primeiros meses do cão, o aconselhável é que o dono habitue seu animal a ser o mais independente possível, aprendendo a lidar com a solidão. Ensine-o a ficar sozinho, mesmo quando o dono está em casa, no quintal ou em algum ambiente da casa, evitando que ele seja uma “sombra” constante.

Para controlar, precisamos verificar se essa ansiedade é ocasionada com a ausência de uma pessoa específica ou de forma generalizada. Isso porque, no caso de ser direcionada a um membro específico, o treino deve ser realizado por essa pessoa.

Treinamento

Devemos treiná-lo para entender que não há problema em ficar sozinho por alguns períodos do dia e que e que seu “grupo” voltará para casa.

Para isso, tentamos dessensibilizar as situações e rituais que normalmente já sinalizam para o cão que seu dono está saindo, o que já o deixa ansioso e tenso, como troca de roupas, pegar chaves e bolsas para saída, entre outras coisas.

Também aconselhamos que o dono torne o mais natural possível as chegadas e as saídas, para que seu cão não crie grandes expectativas com essas situações, tornando o período que permanece sozinho mais desagradável. Também é importante o treino do comando “fica”, que ensina ao cão a esperar o distanciamento do dono e que ele retorna depois de um período.

É muito importante também criar atividades e entretenimento para o cão na ausência do dono, para que ele tenha atividades e possa se distrair nesse período – o que chamamos de enriquecimento ambiental, normalmente feito com brinquedos e acessórios que escondemos e dificultamos o acesso do cão à comida e petiscos, para que ele possa permanecer ocupado tentando comer. Além de ossos recreativos e brinquedos mastigáveis. O treinamento deve ser feito de forma gradativa, respeitando a evolução que varia em cada caso.

Festas de fim de ano e a ansiedade do pet

Para qualquer cão, talvez os dias de Natal e o Ano Novo sejam bem delicados, por conta do barulho dos fogos, que alguns têm medo. Para um cão com ansiedade de separação, que já teme ficar sozinho, um dia/noite tumultuado pode deixá-lo ainda mais nervoso e amedrontado.

O ideal seria que o cão já tivesse sido bastante treinado, para que, nessa época, já estivesse com o problema da ansiedade resolvido ou pelo menos amenizado. Inicialmente, eu aconselharia a não deixar o cão totalmente sozinho. Se possível, deixá-lo na casa de algum parente ou amigo, ou mesmo em um hotel adequado.

Mas, se ambos não forem possíveis, tente deixar seu cão com bastante enriquecimento ambiental. Mantenha a televisão ou o rádio ligados com programas ou músicas que você costuma ouvir quando está em casa, e uma camiseta ou qualquer pano que tenha seu cheiro.

Consulte um especialista

Normalmente, o treino para ansiedade de separação é bastante complexo e demorado, requer paciência e dedicação dos proprietários. Muitas vezes, aconselhamos consultar um bom veterinário, para verificar a utilização de algum medicamento, mas isso não exclui a necessidade de treinamento.

Adoção de um cão: dicas e cuidados

Photo credit: stanzebla / Foter / CC BY-SA
Photo credit: stanzebla / Foter / CC BY-SA

A adoção de um cão é um momento de felicidade para qualquer dono, pois a chegada de um mascote na casa alegra toda a família. Atualmente, os abrigos possuem muitos bichos à espera de um novo lar – em sua maioria, animais adultos.

Os pets mais “maduros” também merecem uma chance! Há inúmeras vantagens em adotá-los: por não crescerem mais, os donos já sabem o “tamanho final” deles, as características de temperamento são mais determinadas e fáceis de serem observadas, quando comparadas a de um filhote, por exemplo. Além disso, é importante lembrar que eles também podem ser adestrados – pets aprendem em qualquer idade!

Responsabilidade

Antes de tomar qualquer decisão em relação à adoção de um cão, no entanto, é preciso avaliar alguns pontos. Afinal, levar um animalzinho para casa exigirá muitas responsabilidades, ligadas à alimentação, saúde e atenção.

1. Cuidados básicos

O cão vai precisar manter uma alimentação equilibrada e saudável, assim como uma rotina de visitas ao veterinário, para avaliar se a saúde está em dia. Como os animais vivem muitos anos, é fundamental prever esses pontos no orçamento familiar.

2. Atividades

Todos os pets precisam de atividades frequentes. Passeios, brincadeiras com o dono, brinquedos, há várias formas de estimular o animalzinho fisicamente e mentalmente. É preciso, no entanto, que o dono dedique um tempo para o pet e, com isso, torne o relacionamento ainda mais próximo.

3. Educação

Outro ponto importante é entender que muitos dos comportamentos inadequados que o cão possa apresentar podem ser modificados com o adestramento, usando a técnica correta, muito carinho e persistência. Não é raro ouvir relatos de pessoas que doaram o pet por ele fazer xixi no lugar errado ou destruir os móveis. O suporte de um profissional especializado em comportamento animal é importante nessa etapa.

Adote com responsabilidade! A Cão Cidadão colabora com diversos projetos sociais. Saiba mais aqui.

Demarcação de território com urina

Photo credit: Chris Hunkeler / Foter / CC BY-SA
Photo credit: Chris Hunkeler / Foter / CC BY-SA

O seu cachorro é daqueles que saem deixando a marca em todos os lugares, da mesa ao sofá? Geralmente, essa não é uma situação que deixa os donos tranquilos e felizes, afinal, a casa fica com um forte cheiro de urina e os móveis podem até se estragar.

O que é preciso entender é que esse comportamento de demarcação é instintivo e mais frequente em cães machos não castrados. Pode acontecer, também, com machos castrados, e muito raramente com fêmeas.

Por que isso acontece?

Esse tipo de comportamento pode ocorrer quando outro cão ou gato, ou até uma pessoa desconhecida, está visitando ou sendo introduzido na casa. É a forma de o cachorro dizer que chegou ali primeiro e que é o “dono” daquele território.

Também é possível que isso ocorra quando o cão é colocado ou entra em um cômodo no qual não está familiarizado e não costuma ter acesso, por isso, não tem o cheiro dele, somente o do dono ou de outras pessoas.

Isso pode ocorrer com móveis, objetos ou tapetes novos que ainda não têm o cheiro do grupo (família) ou o do pet.

Como evitar esse problema?

A castração antes da maturidade sexual é a forma mais indicada para prevenir esse problema, porém, também é indicada caso o seu cão já seja adulto e não castrado, pois pode reduzir, e muito, o problema.

O recomendado é evitar dar atenção ao pet quando ele estiver urinando e não limpar o local na frente dele. Sempre que o vir fazendo xixi no lugar certo, elogie e dê um petisco. Com o tempo, ele associará o local a coisas boas, pois sabe que está agradando o dono e que isso significa ser recompensado.

Importante: não dê broncas, pois ele pode entender que não deve fazer xixi na frente das pessoas ou pior, que fazer xixi é errado, o que pode causar problemas de saúde, como infecção urinária.

Além disso, você pode pedir a ajuda de um especialista, pois é sempre mais fácil treinar o cachorro com ajuda profissional.

Dicas

• Deixe o banheirinho do pet o mais legal possível, para atrair a atenção dele e em um ambiente longe da caminha e do local onde ele brinca.

• O banheiro dele deve estar sempre limpo, pois cães gostam de limpeza e será mais atraente para eles se aliviarem em um local limpo e confortável.

Fonte: Livro Adestramento Inteligente, de Alexandre Rossi.

Violência contra animais nunca é a solução!

Photo credit: Nick Harris1 / Foter / CC BY-ND
Photo credit: Nick Harris1 / Foter / CC BY-ND

Há anos ouvimos dizer que a violência contra animais não é a resposta, muito menos a solução para os problemas e isso se prova cada vez mais verdadeiro.

Quando se trata de adestramento, ou seja, ensinar ao animal o comportamento que se espera dele, bater ou gritar não vai trazer benefício algum e servirá apenas para traumatizá-lo.

Muitas pessoas se esquecem que, quase tudo o que o cão aprende, é por imitação, por isso, impor respeito usando a violência fará com que o cão imite a técnica para obter respeito ou até disputar violentamente a liderança com o dono.

Cães que recebem maus-tratos adquirem sequelas graves, que dificultam o aprendizado e o tornam agressivos. Não o culpe se ele agir dessa maneira, pois ele estará apenas imitando as atitudes do dono.

Por exemplo, esfregar o focinho dele no local onde ele fez xixi não fará com que ele entenda que ali não é o lugar correto para se aliviar. Bater quando o cachorro late demais também não fará com que ele se cale.

Como agir

O reforço positivo é a melhor forma de se comunicar com o pet e ensinar o que ele pode ou não fazer. Trata-se de uma técnica utilizada no Adestramento Inteligente, método da Cão Cidadão, cujo objetivo é tornar a aprendizagem dos animais muito prazerosa.

Para isso, recompensas, como carinho e petisco, são utilizadas todas as vezes que os animais se comportam da maneira desejada, ou executam algum comando ou atividade solicitada. Dessa forma, o pet tem prazer em repetir os comportamentos esperados, sempre de forma positiva, associando um bem-estar com a ação desejada.

Fonte: Livro Adestramento Inteligente, de Alexandre Rossi.

Entenda o conceito de matilha

matilha1O seu cachorro, apesar de ser um animal de estimação, ainda possui todos os instintos de sobrevivência, proteção e afeto que seus antepassados necessitaram para manter a espécie viva.

Ao compreender melhor como funciona uma matilha, você conhecerá mais profundamente os instintos e as atitudes do seu cão e, com isso, terá uma visão diferente sobre como ele deve ser treinado.

É importante reforçar que os valores caninos são diferentes dos humanos e, quanto mais conhecermos sobre eles, mais perceberemos quais são os erros que estamos cometendo ao educá-los.

Hierarquia

Todos os cães estabelecem hierarquias, sejam eles animais de estimação ou não. Por isso, não espere que o seu cão entenda que é você quem manda na casa, sem que você ganhe o respeito dele e assuma o seu lugar como líder da matilha. Para o seu cão, a sua família é a matilha à qual ele pertence, então, ele vai procurar entender a posição que ocupa entre os membros do grupo.

Dar amor e carinho, e esperar que o seu cão seja eternamente grato e faça tudo o que você quer é uma expectativa irreal. Mas também não é necessário que você use da violência ou brigue o tempo todo com ele, esperando que ele aprenda alguma coisa, pois o cão não precisa sentir medo para ter respeito.

Mesmo que goste muito das pessoas, se não houver regras e limites, o cão passará a decidir o que pode ou não pode fazer sozinho! Na realidade canina, o líder do grupo impõe respeito através de sinais e atitudes, por isso, os donos terão mais sucesso se fizerem o mesmo, buscando sempre ter coerência.

Dica

É muito importante que você procure elogiá-lo toda vez que ele se comportar e respeitar os limites que você estabeleceu. Assim, você dará a ele o prêmio de receber a sua atenção por ter obedecido e respeitado. O aprendizado e o treinamento serão cada vez mais prazerosos, tanto para você, quanto para o seu pet.

Fonte: livro Adestramento Inteligente, de Alexandre Rossi.

Poder do click

Photo credit: quinn.anya / Foter / CC BY-SA
Photo credit: quinn.anya / Foter / CC BY-SA

A técnica do clicker nada mais é do que uma forma rápida e simples de elogiar o seu cão. Se trata de um som distinto, que pode ser emitido com a boca, um apito ultrassônico, estalo de metal, entre outros.

Toda a vez que o seu cão escutar esse barulho, ele saberá que vai ser recompensado, seja com um petisco, um carinho do dono ou um brinquedo de que ele goste muito.

Essa técnica, se bem utilizada, ajuda o cão a entender o que o seu dono quer com mais clareza e, assim, o incentiva a reagir e a obedecer o comando com mais rapidez.

Como utilizar essa técnica?

O primeiro passo é condicionar o seu cão a reconhecer o barulho do click e relacioná-lo a uma recompensa. Repita a ação, fazendo o click e recompensando o animal logo em seguida. Não é preciso que ele tenha efetuado nenhum comportamento específico, pois é necessário que ele crie essa associação entre o som e o agrado, antes de começar a treiná-lo.

Você saberá que o seu cão fez essa associação quando clicar e ele, instantaneamente, procurar pela recompensa. Mas, fique atento! Conforme for se acostumando, o cão pode começar a ignorar o barulho. Isso acontece por que, no início, o cão estranha o som diferente e procura a origem dele, olhando para você ou para o clicker. É importante que você não desista, pois não demora muito para que o cão faça essa associação e volte a prestar atenção, dessa vez, realmente esperando por uma gratificação.

Depois que essa relação estiver fortalecida, você pode associar o som ao comando que você deseja que o seu cão realize. Por exemplo: você induz o cão a sentar, enquanto segura o petisco acima da cabeça dele. No momento em que ele encostar a traseira no chão, faça o barulho do clicker e, então, entregue a ele o petisco.

Cuidado para não estimular um comportamento que você não deseja em seu cão, pois ele tenderá a efetuá-los sempre que houve possibilidade de ganhar alguma coisa.

Recompensas

Depois que um comportamento foi aprendido e aperfeiçoado, não é necessário recompensar o cão todas as vezes que ele o realizar. Você pode começar a espaçar as vezes em que utiliza o clicker, por exemplo: peça ao cão para que ele sente, dê a pata e cumprimente, depois faça o barulho e, só então, dê o petisco ou carinho, e assim por diante.

Vantagens

• O som do clicker é é mais rápido do que dizer “muito bem!”
• Funciona à distância. É praticamente impossível dar um petisco na boca do seu cão no exato momento em que ele realiza o comportamento adequado. O clicker permite que não haja intervalo entre o comportamento do cão e a recompensa.

Informações retiradas do livro Adestramento Inteligente, de Alexandre Rossi.