Usando o laser na comunicação com o cachorro

Photo credit: elisa416 / Foter / CC BY-ND
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Por Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal.

Desde pequeno, Oliver, um cãozinho da raça Teckel, não atendia a chamados e nem parecia ligar para qualquer tipo de bronca. Seus donos experimentaram de tudo para educá-lo. Na tentativa de reprimi-lo, foram instruídos a mudar o tom de voz, a bater um jornal no chão, a gritar, mas nada adiantava. Oliver simplesmente abanava o rabo enquanto os familiares berravam com ele por ter feito coisa errada.

Cansada de ser ignorada por Oliver, Marina, a proprietária, resolveu tentar descobrir o que estava acontecendo. Levou-o a uma consulta com o veterinário e tudo ficou claro: o cão era completamente surdo.

Depois do susto causado pela notícia – ninguém na família imaginava que o problema estivesse relacionado à audição de Oliver – veio a pergunta: como educá-lo, já que não ouvia?

Havia a possibilidade de adotar a comunicação por gestos, mas isso só funcionaria quando Oliver estivesse olhando para quem pretendesse lhe dar comando, recurso insuficiente para educar um cão. Era exatamente quando estivesse entretido com uma peraltice ou se distraindo depois de fazer arte que Oliver deveria perceber a intervenção humana por meio de uma bronca, para deixar de repetir a má-criação no futuro.

Criando um novo sistema de sinais

Para obter comunicação eficiente com o cão sem o uso de mensagens sonoras, imaginamos adotar dois sinais luminosos. Um era a bolinha vermelha produzida pelas canetinhas a laser, para chamar a atenção do cão bem como direcioná-lo para lugares específicos. O outro consistia em piscar a luz branca de lanterna comum e associar o sinal ao significado repreensivo do “não”.

Para alegria geral, Oliver aprendeu em apenas cerca de 20 minutos a reagir às luzes. Púnhamos um petisco no chão, sem que ele visse, e movimentávamos a bolinha luminosa para conduzi-lo ao lugar onde estava o alimento, o qual funcionava como prêmio para estimular o cumprimento da missão. O “vem” foi treinado facilmente. Bastava apontar o laser para um local visível por Oliver e trazer o cão até nós pela bolinha luminosa. Assim que ele se aproximava, era recompensado com petisco.

Para relacionar a piscada de luz branca com o “não”, colocamos um prato em local acessível para Oliver e, quando ele vinha “roubar” a comida, o impedíamos e piscávamos a lanterna, ao mesmo tempo em que borrifávamos água na cara dele. A frustração de Oliver por não conseguir pegar a comida e o desconforto físico causado pela água provocaram o resultado desejado e a associação deu certo. Para Oliver desistir da idéia de “roubar”, passou a ser suficiente piscar a luz da lanterna quando ele se aproximava da comida.

Com a ajuda dos sinais luminosos, Oliver e seus donos vão aprender a se comunicar cada vez melhor e, quem sabe, inspirar outros donos de cães a fazer o mesmo.

Possibilidades do laser

As dicas aqui apresentadas podem ser aproveitadas com cães em geral, com ou sem problemas auditivos, e são adequadas para adoção por pessoas mudas. O laser permite também criar possibilidades como apontar com precisão objetos para ensinar o cão a buscá-los e treinar cães de guarda a vistoriar lugares indicados pela bolinha de luz.

Alguns cuidados com o laser

Vale lembrar que a bolinha vermelha produzida pelo laser pode deixar o cão “maluco”, tentando caçá-la. Quando isso acontecer, evite mover a luz rápido demais para estimular ainda mais a tentativa de caça, o que pode deixar o cão excitado demais e faze-lo perder a concentração, atrapalhando o aprendizado de comandos como o “busca” e o “vem”. Outro cuidado é não direcionar o laser para os olhos do cão, para não haver risco de prejudicar a visão dele.

Resumo das dicas

  1. O uso de sinais luminosos permite melhorar a comunicação com o cão. Canetinhas a laser são ótimas para apontar locais e objetos.
  2. A má-criação do seu cão pode estar associada a deficiências auditivas.
  3. Para ensinar o cão a seguir a luz do laser, esconda petiscos e aponte-os com a bolinha luminosa.
  4. Nunca direcione o laser para o olho do cão.
  5. Evite movimentos bruscos com o laser se o cão estiver tentando caçar a bolinha de luz.

Como fazer seu cachorro gostar de ir ao veterinário

Photo credit: LeahLikesLemon / Foter / CC BY
Photo credit: LeahLikesLemon / Foter / CC BY

Por Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal.

Muitos cães morrem de medo de ir ao veterinário. Ao verem o profissional se aproximar ou ao entrarem na sala dele, colocam a cauda entre as pernas, tremem ou mostram agressividade. Resultado: todos se estressam – o cão, o proprietário e o veterinário. A qualidade do exame é comprometida diante da dificuldade de avaliar o cão aflito e, ao mesmo tempo, tentar controlá-lo. De tão traumática a experiência, o cão pode mudar de comportamento para sempre. A boa notícia é que existem diversas técnicas capazes de tornar as consultas mais agradáveis ou, no mínimo, menos traumáticas. Também dá para amenizar a sensação de dor durante os tratamentos, o que é especialmente importante para os filhotes, já que um trauma pode torná-los desconfiados e agressivos quando adultos.

Basta uma experiência para traumatizar

Muitas pessoas acreditam que os cães só aprendem por meio de repetições e que, portanto, a experiência dolorosa será esquecida se não ocorrer várias vezes. É verdade que grande parte dos aprendizados caninos necessita de um bom número de repetições para acontecer, mas nem sempre. Há experiências que depois de vivenciadas uma única vez já ficam registradas. Portanto, não subestime a importância de evitar traumas no cão que vai ao veterinário.

O medo pode aumentar a dor

Acalmar o cão nas consultas é uma estratégia importante. Quanto mais aflito e tenso estiver, maior será a chance de se assustar e ficar traumatizado. Um cão que se apavora sente muito mais dor. Até um procedimento simples, como o da vacinação, pode se tornar um evento terrível para eles.

Acostume o cão aos procedimentos

A melhor maneira de manter o cão tranqüilo durante o tratamento é acostumá-lo ao veterinário e a ser manejado durante as consultas.

Na primeira visita dele à clínica, habitue-o ao novo ambiente e ao veterinário. Para que permaneça calmo, deixe-o com os brinquedos preferidos e proporcione momentos agradáveis, oferecendo carinhos e petiscos. Peça ao veterinário para participar, brincando com o cão e dando também petiscos a ele.

Quanto aos procedimentos médicos, o melhor é simulá-los antecipadamente, de maneira gradativa. O treino pode ser feito no início da própria consulta – não costuma levar mais de 10 minutos. A simulação deve ser a mais parecida possível ao que acontece na realidade. Se o objetivo for vacinar o cão, por exemplo, contenha-o firmemente e simule uma picadinha de agulha com uma chave ou tampinha de caneta.

A cada simulação, procure recompensar o cão com algo agradável, como petiscos e elogios. Alguns cães treinados dessa maneira chegam a lamber os beiços quando vêem uma seringa. Só se passa para a próxima etapa do treino depois de o cão aceitar com tranqüilidade aquela na qual está sendo exercitado.

Outra prática útil para ajudar o cão a se adaptar às consultas é acostumá-lo, no dia-a-dia, a determinadas situações. Ter o hábito de ser massageado evita sustos ao ser apalpado pelo veterinário. Brincar em casa sobre superfícies lisas ajuda a não estranhar a mesa metálica da clínica.

No desconforto, redirecione a atenção

Quando um procedimento incômodo estiver em andamento, procure distrair o cão. Quanto menos atenção ele prestar ao desconforto, menos será a sensação de dor. Uma maneira de conseguir isso é brincar com um petisco, deixando o cão abocanhá-lo de vez em quando.

Não reforce a agressividade

Um erro comum é subestimar a reação do cão aos exames. O certo é contê-lo com firmeza nesses momentos. Até um exemplar dócil pode morder se ficar assustado ou com dor. E, se ele tiver sucesso ao tentar se desvencilhar ou assustar e ameaçar a pessoa que se aproximou, aprenderá a repetir tais comportamentos. Não permita, portanto, que ele tenha êxito nessas tentativas.

Resumo das dicas

  1. Associe coisas agradáveis (petiscos, brincadeira, carinho) a todo procedimento que possa ser desagradável ou assustador ao cão.
  2. Procure dessensibilizá-lo aos procedimentos veterinários.
  3. Acostume-o a ser contido firmemente.
  4. Tome as precauções necessárias para evitar que o cão controle a situação.

O bebê vem aí… Saiba como preparar o cachorro

Photo credit: donnierayjones / Foter / CC BY
Photo credit: donnierayjones / Foter / CC BY

Por Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal. 

O cachorro pode sofrer com a vinda de um bebê

É normal um bebê atrair boa parte das atenções que antes eram destinadas ao cão. Os cães frequentemente fazem a associação da perda de atenção e carinho com a chegada do recém-nascido e isso pode ser motivo de não gostarem da criança. Mesmo que não ocorra a associação, se o cão sentir que o interesse por ele diminuiu bruscamente, poderá ficar inseguro e ansioso e desenvolver algum problema de comportamento. Veja como agir diante de uma situação como essa, para tudo correr bem.

O ideal é começar a preparar o cão antes de o neném chegar

Procure prever as mudanças que ocorrerão com a chegada da criança e tente adaptar o cão a elas, gradativamente. Alterações radicais costumam ser as mais estressantes. Um animal social como o cão pode temer ser expulso por causa da chegada de um novo indivíduo no grupo, pois depende dos companheiros para sobreviver. Por isso, o cachorro costuma se manter muito atento, observando como os outros agem e como fica a situação dele à medida que novos fatos acontecem. Reduzir gradualmente a atenção, o carinho e o espaço físico é a melhor maneira de o cão se adaptar bem, porque lhe permite perceber que continua a ser amado por quem sempre cuidou dele e, portanto, a sua posição de membro do grupo continua garantida.

Espaço físico e atenção

Se o cão não vai poder entrar num quarto depois de o local ser ocupado pelo neném, é preferível pôr em prática a proibição algumas semanas antes. Evita-se assim a associação da presença do novo membro da família com a perda do espaço.

É quase impossível que, com a vinda do recém-nascido, o casal continue a dar ao cão a mesma atenção de antes. Para que essa aparente redução de interesse não seja associada ao bebê, acostume o cão a nem sempre receber atenção – procure ignorar algumas das tentativas dele para conseguir carinho. Assim, ele aprenderá a lidar com a frustração e ficará menos ansioso quando não conseguir obter carinho de alguém entretido com o neném.

Associe o bebê a coisas boas

Além de evitar as associações negativas, é possível estimular o cão a gostar do bebê mostrando como pode ser prazeroso e interessante ter um neném nas redondezas.

O cão terá todos os motivos para não apreciar a criança se perceber que, quando ela está por perto, o casal o ignora por completo e se somente receber atenção na ausência do bebê – cenas, aliás, bastante comuns. Pior é quando as pessoas que estão com a criança gritam com o cão para ele não chegar perto.

A idéia é fazer exatamente o oposto. Na presença da criança, sempre procure dar petiscos, carinho e atenção ao cão. Em pouco tempo, ele perceberá que essa proximidade significa coisas legais. Em vez de ficar enciumado, se entreterá com guloseimas ou com o que de bom acontecer e passará a gostar de ter o bebê por perto. Os agrados ao cão e os petiscos podem ser dados por uma pessoa, enquanto outra segura o bebê, sem problemas. O importante é algo agradável ocorrer sempre que o bebê estiver por perto.

Associar o cheiro da criança com coisas boas aumenta as chances de o cão, ao se encontrar com ela, considerá-la parte da “matilha” em vez de um estranho, negativo ou perigoso. Esfregue alguns panos no bebê e coloque-os em locais estratégicos, agradáveis para o cão, como embaixo do prato de comida dele e nos locais onde ele gosta de cochilar. Assim, enquanto come e dorme, o cão sente cheiro do neném.

Resumo das dicas

  1. Evite mudanças bruscas na vida de seu cão. Antecipe as mudanças e torne-os gradativas.
  2. Associe o neném com coisas interessantes para o cão. Dê-lhe petiscos e atenção quando estiver com o bebê no colo ou por perto.
  3. Coloque panos com o cheiro do neném embaixo do prato de comida de seu cão e nos locais onde ele gosta de dormir e relaxar.

Ataques de cachorros e a lei

Photo credit: warriorwoman531 / Foter / CC BY-ND
Photo credit: warriorwoman531 / Foter / CC BY-ND

Por Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal.

Grande parte da população fica chocada ao tomar conhecimento dos ataques de cães divulgados pela mídia e passa a exigir medidas dos governantes para prevenir tais atrocidades e punir os responsáveis. Muitos desses casos resultam em ferimentos graves ou na morte de pessoas que simplesmente andavam pela rua.

Mas afinal, quem são os responsáveis? É gente que maltrata seus cães, os quais passam a atacar? São raças agressivas que não deveriam existir? Ou são criadores que vendem um cão de guarda para quem não tem habilidade para educá-lo corretamente? Vários “culpados” já foram nomeados. Até os adestradores não escaparam.

Se um projeto de lei é feito após a divulgação de alguns acidentes envolvendo determinada raça de cão, esta, quase que com certeza, estará na lista das raças que deverão ser exterminadas.

A busca por um culpado, sem antes fazer uma análise detalhada do problema e dos dados, acaba gerando soluções preconceituosas. Acalma-se a população, mas o problema não é resolvido de forma eficiente e correta. Soluções preconceituosas costumam ser resultado de simplificação por falta de conhecimento.

Nos casos dos acidentes com cães, a questão é grave e complexa. A maioria dos projetos de lei apresentados possui diversas falhas já comprovadas em outros países e assinaladas pela maioria dos especialistas em comportamento. Os erros seriam facilmente detectados e corrigidos se houvesse o envolvimento de um especialista no assunto. Para exemplificar, analiso no quadro a problemática relativa à exterminação de algumas raças consideradas perigosas, apontada por muitos como solução para o problema.

Estamos repetindo o erro de outros

Embora as dificuldades citadas no quadro existam e já tenham sido constatadas por especialistas do mundo todo e comprovadas por muitas pessoas, grande parte dos projetos de lei continua focando o extermínio de raças como solução simples para os ataques de cães.

Os proprietários precisam ser responsabilizados e educados

As condutas mais eficientes são aquelas que visam a educar e responsabilizar os proprietários de cães, civilmente e criminalmente. Em determinados aspectos, poderíamos considerar a posse de um cão de porte médio ou grande como equivalente à de um automóvel. Para dirigir o veículo é necessário ter condições físicas, psíquicas e conhecimentos sobre leis. Por isso, para obter carteira de motorista é preciso estudar os automóveis e adquirir conhecimentos sobre eles.

Por que nenhum conhecimento é exigido do futuro proprietário de cão com potencial para matar pessoas? Muita gente, ao adquirir um cão, acha que basta tratá-lo com amor e carinho para ele não se tornar agressivo. E fica surpresa quando ocorre o primeiro acidente! Se um motorista dirige de maneira imprudente, pode ser multado ou até perder o direito de dirigir. É dessa maneira que acidentes futuros são evitados.

Grande parte dos casos envolvendo cães ocorre após numerosas imprudências de seus proprietários. Um dos exemplos mais comuns é o do cão que sai para a rua quando o portão é aberto para o carro passar. Mais cedo ou mais tarde, um pedestre poderá ser atacado. Imagine, também, o perigo de deixar uma criança passear com um Dogue Alemão agressivo! Instituir uma carteira para o dono de cão potencialmente perigoso seria uma maneira de educá-lo sobre suas responsabilidades. Para obtê-la, a pessoa deveria comprovar que sabe agir prudentemente, de modo a evitar que seu cão se envolva em casos de agressão.

Problemática dos projetos de extermínio de raças caninas           

Nenhuma raça canina está livre de ter entre seus elementos alguns agressivos

A variabilidade de comportamento é muito grande em cada raça de cão, sendo que existem indivíduos extremamente mansos em raças consideradas agressivas e indivíduos extremamente agressivos em raças consideradas mansas. Se formos eliminando as raças a partir de alguns acidentes, com o tempo todas as raças serão exterminadas.

Em qualquer raça podem surgir, em alguns anos, linhagens agressivas

No prazo de poucas gerações dá para tornar uma raça mais agressiva. Basta selecionar indivíduos um pouco mais agressivos e acasalá-los. Se existir demanda por cães agressivos, de nada adiantará proibir raças caninas apenas com base na aparência.

Policiais terão dificuldade em punir os infratores

Há variações sutis entre algumas raças. Diante do policial, o proprietário pode sempre alegar que o cão dele é de outra raça. Quantas pessoas saberiam diferenciar um Pit Bull de um Staffordshire? Os policiais precisarão se tornar especialista em raças caninas.

Surgirão novas raças formadas pelo cruzamento entre raças

A mistura entre cães ditos perigosos não se enquadra numa lei que especifica raças, embora a periculosidade possa ser a mesma.

Malcriação com visitas

Photo credit: hello yoshi / Foter / CC BY-ND
Photo credit: hello yoshi / Foter / CC BY-ND

Por Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal.

Quando chega visita em casa, seu cachorro salta para cima da pessoa, com as patas sujas de barro? Não dá sossego, pula no colo, morde a mão que tenta lhe fazer um carinho, late sem parar ou, pior, usa a perna das pessoas para esboçar atos sexuais? Ou tem o hábito de regar o tapete da sala com uma bela esguichada de xixi?

Essas atitudes fazem parte do repertório comportamental de cães nada bem-educados quando na presença de estranhos. São cachorros que associam a visita com entretenimento, oportunidade de aprontar, ou simplesmente querem chamar a atenção, por se sentirem enciumados ou ignorados.

Muitos donos não entendem por que o cão, muitas vezes comportado, se transforma no diabo-da-tasmânia quando chega estranho em casa. É importante observar que ele entende o contexto do que acontece. No dia-a-dia, quando seu cão apronta, você constata o flagrante e já lhe dá uma boa bronca, mas, diante da visita, fica chato soltar aquele berro costumeiro. Aí, pronto! O cachorro percebe que a bronca não vem e transforma esses momentos em ótimas oportunidades para aprontar!

Muitas pessoas conseguem resolver tais problemas sem lançar mão de punições. Há métodos inteligentes e muito eficientes que oferecem alternativas de comportamento para o seu cão, o que não quer dizer que a punição nunca seja necessária.

Em primeiro lugar, você deve ensiná-lo a se comportar bem com você e as demais pessoas da casa para ser bem-sucedido diante das visitas. Não se iluda achando que seu cão ficará obediente durante uma ceia especial se ele costuma latir todos os dias durante o jantar, ou que ele não vá pular e sujar as visitas de barro se é assim que ele recebe você diariamente.

Temos de entender que, quando os cães apresentam determinados comportamentos, eles não querem nos irritar, apenas chamar a atenção.

Um bom truque é escolher um brinquedo que pertença ao seu cão e, sempre que ele tentar chamar a sua atenção com esse brinquedo, pare o que estiver fazendo, corra atrás dele, brinque ou chame-o pelo nome, inclusive quando você estiver recebendo visitas.

Assim, quando ele estiver carente, querendo atenção e carinho, irá brincar ou destruir o tal brinquedo, e não atacar móveis ou almofadas.

Antes que o cão venha urinar ou defecar dentro de casa na presença de visitas, a dica é, assim que perceber suas atitudes, recompensá-lo com atenção e petiscos. Apesar de ser obrigado a deixar a visita sozinha para dar a recompensa ao bicho, você não terá de enxugar o tapete da sala nem pedir desculpas pelo mau cheiro.

Agora, o que fazer quando o cão tenta copular com a perna da visita? Nesse caso, a ação deve ser impedida exatamente no momento em que começa, já que cada segundo que passa o cachorro estará sendo recompensado pelo próprio prazer gerado pela atividade. O simples fato de seu cachorro ser interrompido de forma brusca, e no instante exato em que iniciar “aquela atividade”, já cria grandes chances de resolver o problema.

Espirrar água

Em caso de insistência do cão, e ele não largar a perna da visita, espirrar água na cara dele (cuidado para não atingir os ouvidos), pode ser uma saída mais imediata e refrescante. Porém, lembre-se de não fazer isso em tom de brincadeira, pois em pouco tempo ele vai adorar e querer repeteco.

Misturar substâncias amargas à água para aumentar a eficiência da bronca. Nesse caso, é melhor consultar o veterinário sobre o que usar, para não provocar alergia. As mais inofensivas são a citronela (pura, sem óleo) e alguns produtos amargos não-tóxicos.

Hora de trocar de nome

Photo credit: design-gate / Foter / CC BY
Photo credit: design-gate / Foter / CC BY

Por Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal.

Você compra, ganha ou mesmo adota um cão, mas não gosta do nome dele. Você pode mudá-lo? Isso trará problemas ou desvantagens? Uma das dúvidas mais freqüentes dos proprietários é de como devem agir para fazer o cão entender que tem um novo nome, ou de como condicioná-lo a vir quando for chamado por esse nome.

Muitas pessoas que alteram o nome de cães adotados ficam surpresas com os resultados. Relatam que seus cães, além de terem aprendido o novo nome rapidamente, passam a impressão de gostar mais dele que do antigo. Por quê?

Alguns proprietários utilizam o nome do cão para dar broncas ou antes de puni-los fisicamente, o que resulta em uma associação negativa com o nome. Antes, toda vez que o seu cão ouvia aquela palavra (o nome dele), ele apanhava, ficava de castigo ou levava uma bronca – o nome, portanto, passou a ser algo desagradável para o cão. Quase sempre é mais fácil associar uma nova palavra com coisas agradáveis do que transformar o desagradável em agradável. Esse é o motivo que justifica e explica a troca de nomes. Se você não sabe como o cão foi tratado ou como seu nome foi utilizado, ou, pior, repara claramente que o cão tem medo do seu próprio nome, é aconselhável esquecer o nome antigo e ensinar-lhe um novo nome.

Se você já está tranqüilo quanto à troca, resta a pergunta: existe alguma restrição quanto aos nomes? É claro que o seu cão não vai entender o que o nome dele significa, mas evite nomes ridículos, que façam do bicho motivo de gozação, o que terá uma influência negativa em seu condicionamento. Isso é mais comum em campeonatos, quando o nome do cão é dito no microfone e pode gerar risos e repetições do nome que distraem o animal.

O bom nome, no entanto, deve ter outros requisitos além de não ser ridículo. Ele nunca deve ser semelhante a palavras de repreensão, de comandos ou mesmo a palavras freqüentes em uma conversação para evitar associações indesejáveis e confusões.

É importante ressaltar também as situações em que o nome pode ser utilizado. Alguns treinadores dizem que o nome deve ser usado em comandos de movimento, como “vem”, “busca”, “ataca”, por exemplo, e nunca em comandos parados, como “senta”, “deita” ou “fica”. Faz sentido? Sim, até certo ponto. Grande parte dos treinadores forçam os animais, com enforcador ou fazendo situações desagradáveis, para que eles sentem, deitem ou fiquem. Nesses casos, quando esses treinadores utilizam o nome do cão antes do comando, o animal passa a associá-lo com desconforto e deixa de gostar daquela palavra, prejudicando a relação com o dono. Já os comandos “vem”, “busca” ou “ataca” são geralmente feitos com prazer pelo animal, e por isso que alguns treinadores preferem só utilizar o nome somente nesses momentos.

Já para treinadores que empregam métodos que não envolvem punição, tal cuidado se torna inútil, pois o cão fará todos os comandos com prazer e qualquer associação com o nome será agradável.

Vale sempre lembrar que o nome do cão não deve ser usado no momento das broncas. Assim, evite chamá-lo pelo nome quando ele fizer algo errado. Ou seja, nada de “Fred… nããoooo!!!. Embora seja fácil de entender o motivo do conselho, costuma ser muito difícil colocá-lo em prática, já que muitas pessoas mencionam naturalmente o nome nas broncas. Tenha paciência e procure pelo menos diminuir a freqüência da utilização do nome do seu cão nas broncas.

Para terminar, um conselho sobre apelidos. Um apelido é como outro nome. Algum problema? Não. Cães são capazes de entender facilmente várias palavras que indicam a mesma coisa. Portanto, seguindo os cuidados acima, fique à vontade para escolher um apelido prático para seu cão.

Amizade sem mordidas – Parte 1

Photo credit: Mustafa Sayed / Foter / CC BY
Photo credit: Mustafa Sayed / Foter / CC BY

Por Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal.  

O que fazer quando aquele cãozinho que parecia tão amigável mostra-se pronto a atacar? Acidentes com cachorros são um problema sério – no ano passado, foram registrados 400 mil casos de mordidas no Brasil -, mas muitos poderiam ser evitados se houvesse maior conscientização sobre o comportamento desses cidadãos de quatro patas. As situações que envolvem as mordidas são muitas, mas algumas medidas podem evitá-las.

Os cães geralmente mordem quando:
. sentem-se ameaçados ou estão com medo;
. estão protegendo seu território, comida, brinquedos ou filhotes;
. algo se move rápido (instinto predatório);
. estão irritados ou com dor;
. sua posição hierárquica está sendo ameaçada.

O local do corpo mais atingido pelas mordidas é o rosto (cerca de 70% dos casos). Além da pele da região ser mais frágil, é o local em que as cicatrizes mais incomodam. Portanto, a primeira dica é manter o rosto a uma distância segura de uma eventual mordida. Aquele abraço carinhoso, fuça a fuça, e beijos no “rosto” do cachorro devem ser evitados sempre que você não ti-ver certeza de que o cão é extremamente dócil. Toda vez em que você for re-tirar seu cão ran-zinza do sofá, procure proteger o rosto, virando-o ou mantendo-o distante do cão, pois grande parte das mordidas ocorre por conta de cães dominantes quando contrariados.

Fixar o olhar diretamente no olho do cão também pode causar acidentes. Para os cães, isso pode ser considerado uma situação de confronto. Até conhecer bem o animal, ou ter certeza sobre a docilidade dele, evite confrontá-lo. Além de não olhar diretamente para os olhos dele, não o acue em algum canto e também não se curve sobre ele. Ficar ligeiramente de lado é menos ameaçador para o cão do que se você ficar de frente para ele. Falar em tom neutro e evitar movimentos bruscos também são artifícios válidos.

Confiança

Como nós, humanos, os cães também muitas vezes exigem preliminares antes de se entregar totalmente ou de confiar em nossos gestos e movimentos. Esse “aquecimento” da relação faz o cão se sentir mais confiante e menos ameaçado.
Pergunte para o proprietário se o cão é manso, se você pode fazer carinho nele etc. Além de você mostrar educação, alguns cães, percebendo que seu proprietário não se assustou com a sua presença, ficam mais confiantes. Muitos animais reagem de acordo com a reação do proprietário – se ele agir de maneira natural e calma, passará mais confiança para o cão.

Deixe o dono do cão se aproximar de você. Caso você queira chegar perto do animal, faça-o sem movimentos bruscos. Deixe o cão cheirar você antes de começar a interação. Continue falando com o proprietário, como se não estivesse dando muita importância para o bichinho. Ofereça a mão para o cão cheirar, deixando o braço relaxado e o punho fechado, já que os cães podem morder os dedos.

Se você sentir que o cão está seguro e relaxado, escorregue a mesma mão que ele estiver cheirando para o peito do cachorro e comece a acariciá-lo. O peito e a parte debaixo do pescoço são áreas em que o cão se sente menos ameaçado do que quando lhe fazem carinho na cabeça ou na nuca. Caso o cão ainda esteja com medo, procure não olhar ou falar diretamente com ele.

Na maioria dos casos, nesse instante os cães já se mostram bastante receptivos, mas, se você ainda não estiver totalmente seguro, retire a mão vagarosamente. Muitas mordidas ocorrem quando a pessoa está retirando a mão, principalmente quando fazem um movimento brusco.

Algumas vezes, no entanto, o ataque é inevitável. No próximo mês, esta coluna trará dicas de como reagir para minimizar acidentes maiores nesses momentos.

Amizade sem mordidas – Parte 2

Photo credit: donnierayjones / Foter / CC BY
Photo credit: donnierayjones / Foter / CC BY

Por Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal.

Só para lembrar: os cachorros geralmente mordem quando se sentem ameaçados ou quando estão com medo; estão protegendo seu território, comida, brinquedos ou filhotes; algo se move rápido e atiça seu instinto predatório; estão irritados ou com dor ou sua posição hierárquica está sendo ameaçada. Várias atitudes podem evitar o ataque, como fazer a aproximação aos poucos, ao lado do dono, e nunca aproximar o rosto logo no primeiro contato com o animal. Mas o que fazer, então, em situações em que o animal não parece disposto a desistir do ataque?

Como muitas pessoas já devem ter percebido, alguns cães só atacam as visitas quando elas estão indo embora. Portanto, cuidado com os abraços de despedida, beijinhos e tchaus. Obviamente, a melhor solução nesses casos é pedir para o proprietário que prenda o animal ou avise-o de que você não faz a menor questão de se despedir… Caso o cão já tenha começado a latir e esteja ameaçando morder, finja que você mudou de idéia e vai ficar mais algum tempinho. Nesses casos, o melhor é prender o cão.

Mas, o que fazer quando o ataque parece inevitável? Em muitos casos, a única solução é rezar. Na maioria das vezes, no entanto, é possível tentar alguma coisa. Cães pequenos geralmente podem ficar entretidos por alguns segundos mordendo o sapato ou o tênis. Sem movimentos ameaçadores, proteja-se levantando o pé e impedindo-o de chegar perto de você. Muitos cães ficam mordendo a sola do sapato e o tênis até desistirem do ataque ou o proprietário conseguir evitá-lo. Não grite e nem dê bronca no cão. Cães maiores podem ser “distraídos” com bolsas ou jaquetas.

Um consolo para essa hora difícil: muitos cães cessam o ataque após uma ou mais mordidas, desde que a vítima não grite ou não esperneie. Caso você caia no chão, procure curvar-se formando uma bola com seu corpo e proteja o rosto e a nuca. Gritar e fazer movimentos bruscos costuma piorar a situação. Só saia correndo se você tiver certeza de que vai conseguir escapar.

É tudo instinto

Lembre-se que um cão, mesmo pequeno, é muito mais rápido do que uma pessoa. O simples fato de correr perto de um cão já pode despertar nele instintos agressivos ligados à caça e proteção. Sempre que possível, procure se afastar do cão ou do que ele estiver tentando proteger de maneira calma e o menos ameaçadora possível. Não vire as costas para o animal, muitos cães esperam exatamente esse momento para atacar.

Nunca devemos confrontar o cão para evitar um ataque. Confrontar é criar uma situação muito arriscada, pois existe sempre uma possibilidade do cão “pagar para ver”. Pessoas que conhecem bastante sobre comportamento animal têm maiores condições de prever se o cão vai desistir de um ataque quando ameaçado. Nesses casos, a pessoa pega um objeto qualquer (uma vassoura, um pedaço de pau ou uma pedra), olha no olho do cão e finge que vai atacar, chegando mesmo a correr atrás do cão. Esse procedimento é realmente muito arriscado e pode comprometer o comportamento do cachorro, pois ele passa a desconfiar ainda mais de determinadas atitudes. O mesmo cão que pode “afinar” em um território fora de sua propriedade, por exemplo, pode atacar ferozmente seu perseguidor assim que ele pisar em seu território.

Nenhuma dessas explicações podem ou devem ser utilizadas para justificar a ocorrência de um problema desse tipo ou tirar a culpa do proprietário do cão. O dono deve ser integralmente responsável pelo comportamento de seu animal e deve prevenir e evitar qualquer ataque. Muitos ataques acontecem pela negligência do proprietário, falta de socialização ou até mesmo por ausência de adestramento adequado.

Como os cachorros enxergam – Parte 1

Photo credit: EmmyMik / Foter / CC BY
Photo credit: EmmyMik / Foter / CC BY

Por Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal. 

Diferentemente do que a maioria das pessoas pensam, os cães não enxergam com menos qualidade que os humanos. Quanto mais estudamos sobre a visão, mais descobrimos que é quase impossível determinar quem enxerga melhor, o homem ou o cão.

A dúvida mais comum quando se fala da visão é se o cão enxerga em colorido ou em preto e branco. A visão envolve muitos fatores além da capacidade de identificar cores, e muitas dessas capacidades são mais desenvolvidas nos cães do que nos homens. Portanto, em algumas potencialidades da visão, os cães ganham de nós e em outras eles perdem. Mas, afinal, eles enxergam colorido ou não? Sim, eles têm a capacidade de enxergar cores, mas não da mesma maneira que nós.

Entender como um cão enxerga, além de ser uma curiosidade intelectual, ajuda a compreender melhor o mundo e a natureza de seu animal de estimação. Treinadores também se beneficiam de tais informações, pois podem aperfeiçoar suas técnicas, especialmente para cães que desenvolvem atividades orientadas visualmente, como é o caso de obediência a distância, guiar cegos, trabalhar com a polícia, etc. Neste mês, apresentaremos três tópicos sobre a visão. Na coluna do mês que vem, você aprenderá mais sobre campo de visão, sensibilidade e definição visual.

As cores
Que cor de bolinha escolher para brincar com seu cão? Se você for brincar sobre um gramado, seu cão localizará mais facilmente uma bolinha azul do que uma bolinha vermelha, já que ele não consegue diferenciar vermelho do verde, a cor do gramado. Para os cães, as cores verde, amarelo, laranja e vermelho não têm diferença nenhuma. Para um cão, o sinaleiro (farol ou semáforo) não muda de cor, pois ele enxerga da mesma maneira o verde, o amarelo e o vermelho. Para que ele notasse a diferença de cores do farol, duas delas deveriam ser alteradas para violeta e azul, já que o cão consegue diferenciar as cores violeta, azul e verde.

Os cientistas acreditam que o cão enxerga a cor amarela quando olha para as cores vermelho, verde e amarela, e seria exatamente por isso que ele não conseguiria diferenciá-la. Meio complicado, né? A conclusão é que os cães enxergam cores, mas menos cores do que nós. Já a capacidade de diferenciar tons de cinza é tão desenvolvida nos cães, que é impossível testar esse talento utilizando somente nossos sentidos, já que não saberíamos se os cães estariam diferenciando corretamente as diversas tonalidades.

A luz
Vamos imaginar a seguinte situação hipotética: um ladrão entra em sua casa e seu cachorro está prestes a atacar o invasor. Se você apagar as luzes da casa, seu cão terá mais ou menos chance de sair vitorioso da briga? Partindo do princípio que a luta, tanto na defesa quanto no ataque, necessita principalmente da visão, podemos responder a essa pergunta se soubermos quem será mais prejudicado pela baixa iluminação. O cão, originalmente, era um predador com hábitos principalmente noturnos e por isso possui um sistema visual muito mais adaptado para enxergar no escuro do que o homem. Portanto, em nossa situação hipotética, o cão seria beneficiado com o apagar das luzes.

O movimento
Talvez você já tenha tentado mostrar ao seu cão um gato a distância e ele só percebeu o gato assim que esse começou a se movimentar. Predadores como o cão estão sempre à procura de presas, e por isso é muito vantajoso que objetos e animais em movimento se sobressaiam do resto da paisagem. Essa sensibilidade a objetos em movimento é um dos aspectos mais desenvolvidos na visão canina. Uma pessoa que só seria capaz de ser vista pelo cão a 500 metros de distância pode ser vista a 800 metros se estiver em movimento. Se você estiver com seu cão em um ambiente aberto e ele tiver dificuldades em encontrá-lo, procure se movimentar, pois isso facilitará bastante a sua localização pelo animal. Uma outra utilização prática dessa habilidade é a utilização de sinais que envolvem movimento para comandar um cão a distância. Esse é um dos motivos pelos quais a maioria dos sinais para comandar um cão envolvem movimento da mão ou do braço.

Como os cachorros enxergam – Parte 2

Photo credit: BusyBee-cr / Foter / CC BY
Photo credit: BusyBee-cr / Foter / CC BY

Por Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal.

Estas características descritas abaixo mostram como você e seu cão enxergam o mundo de outro jeito. As diferenças não acontecem somente no campo das percepções, como a visão, audição, olfato etc., mas também ocorrem com as motivações e necessidades. Por isso procure realmente entender que nem sempre o que é melhor para o ser humano será melhor para seu companheiro canino.

A televisão
Você sabia que a imagem que observamos assistindo à televisão é composta de diversos “slides” parados que, por trocarem muito rápido, nos dão a impressão de continuidade e de movimento? Essa é mais uma das características da visão, chamada de “fusão de luz piscando”. A tecnologia da televisão aproveita essa característica da visão humana e troca 30 vezes de quadros por segundo, tornando incapaz para qualquer ser humano de observar os quadros ou “slides” separadamente. A visão do cão tem a capacidade de processar de 20 a 30 quadros a mais que o ser humano. Portanto, o cão assiste à televisão como se estivesse vendo “slides” estáticos sendo trocados rapidamente. A televisão, para conseguir “enganar” os sentidos do cão, teria que aumentar a velocidade de troca dos quadros.

Campo de visão
O campo de visão é a área que pode ser vista quando fixamos o olhar em um ponto. Para entender melhor, olhe para frente e fixe seu olhar em um objeto, abra bem os braços e vagarosamente traga-os para frente até que você consiga perceber visualmente suas mãos. Quando isso acontece, significa que suas mãos entraram no seu campo de visão. Nosso campo de visão é cerca de 180 graus, o que não nos permite enxergar para trás quando estamos olhando para frente. Isso, por incrível que possa parecer, os cães conseguem! O campo visual de um cão, na média, é de 250 graus.

Definição visual
A definição visual é a capacidade de perceber detalhes. Uma pessoa que tenha astigmatismo, miopia ou hipermetropia possui uma definição visual menor que uma pessoa com visão perfeita. A definição visual dos cães é inferior à do ser humano, mas funciona muito bem em condições de pouca iluminação. Isso significa, por exemplo, que visualmente o ser humano é capaz de reconhecer um rosto a uma distância maior do que o cão, mas em um ambiente com pouca iluminação, a definição visual do ser humano diminui muito, enquanto a do cão, não. Um objeto que uma pessoa consiga reconhecer a uma distância de 25 metros só seria reconhecido pelo cão a 7 metros.

E os cães que não enxergam bem pra cachorro? Poderiam usar óculos? Os cães também podem ter miopia, hipermetropia e astigmatismo. Quando você se deparar com um cachorrão franzindo a cara para você, imagine que é um míope e só está tentando te enxergar melhor! (brincadeira, tome cuidado!). Um estudo científico feito em uma clínica veterinária constatou que 53% dos pastores alemães e 64% dos rottweilers tinham miopia. Quem acha que óculos para cachorro é uma idéia absurda precisa saber que já estão sendo utilizadas lentes intra-oculares projetadas especialmente para os cães. Um dos usos dessas lentes é a maximização da recuperação da visão após a remoção de cataratas.

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