Você sabe identificar os diferentes tipos de latido?

dicas_interna-latido

Por Cassia Rabelo Cardoso dos Santos, adestradora, consultora comportamental e membro do Grupo de Estudos Científicos da Cão Cidadão.

Levante a mão um adestrador que nunca foi contratado por um cliente cujo cão se mostrava um incrível e eufórico latidor! Muitos, senão todos, já passaram por isso, mas será que, diante do problema apresentado pelo cliente, somos coerentes com a aplicação do treino de modificação comportamental para cada caso? Sabemos identificar corretamente o gatilho da vocalização excessiva apresentada pelo cão?

Pesquisas recentes sugerem que os diferentes latidos dos cachorros têm relação com situações específicas e podem ser um dos meios de comunicação que os cães utilizam com o ser humano. Tanto que pessoas que sequer tem convivência cotidiana com esses animais são capazes de identificar corretamente os diferentes tipos de latidos emitidos em cada situação.

Um comentário da Dra. Sophia Yin

A saudosa Dra. Sophia Yin chegou a analisar cientificamente essa questão. Nesta matéria, ela comenta que nós, infelizmente, não podemos afirmar que os cães latem para nos passar algum tipo de informação, mas podemos sugerir que a variação dos latidos provavelmente reflete um estado emocional interno do cão associado a uma situação específica.

Assim, o latido de um cachorro que vê um estranho passando em frente ao seu território é bem diferente da vocalização de um cão que está sozinho, isolado do convívio com o tutor. Essas diferenças muitas vezes sutis entre um latido e outro seriam de grande importância para passar informações tanto para outros cães quanto para humanos.

E os humanos “entendem” essa linguagem dos latidos?

Ao discutir sobre o assunto, a Dra. Yin faz referência em seu texto à equipe do Dr. Ádam Mikósi e vale lembrar aqui também que recentemente o Alexandre nos trouxe informações sobre pesquisas relacionadas aos latidos dos cães que foram citadas pelo Dr. Péter Pongrácz (que também faz parte da equipe do Dr. Miklósi), no Fórum de Ciência Canina, realizado na Itália.

Então, o GEC traz à tona um estudo realizado por essa conceituada equipe de pesquisadores cujo objetivo seria testar a capacidade dos seres humanos em identificar as diferentes informações que os cães passam com seus latidos.

Como eles decodificaram essas informações

Os pesquisadores gravaram latidos de cães Mudi, uma raça de pastoreio de origem húngara, em diferentes situações, e recrutaram voluntários para interpretar essas vocalizações.  Entre os voluntários, havia: 12 proprietários de Mudi, 12 proprietários de outras raças de cães e 12 pessoas que não tinham nem nunca tiveram um cão.

Essas pessoas ouviram os latidos gravados em 6 contextos comportamentais diferentes, com o cão: (1) diante de um estranho; (2) treinando Schutzund; (3) percebendo que sairia para passear; (4) sendo deixado sozinho; (5) vendo o dono com o brinquedo preferido; e (6) brincando. Lembram do teste que fizemos na última reunião semanal? Pois é, os pesquisadores fizeram algo semelhante durante a coleta de dados.

Os resultados

Os pesquisadores constataram que a maioria dos latidos tem um importante significado emocional para os humanos, e os resultados sugeriram que independentemente da experiência prévia com cães, os humanos que se voluntariaram para essa pesquisa conseguiram avaliar muito bem os estados emocionais dos animais em cada contexto.

Isso sugere que alguns tipos de latido podem significar formas de comunicação com outra espécie (os seres humanos), uma habilidade que teria sido desenvolvida ao longo do processo de domesticação dos cães.

O que isso tem a ver com nosso trabalho?

Você é capaz de afirmar categoricamente que um cão que late ao ser deixado sozinho adota esse comportamento como um dos sintomas da ansiedade de separação? Será que ele não pode estar sendo estimulado por ruídos de pessoas estranhas fora da casa? São questionamentos importantes que justificam pedir para o cliente gravar as situações em que o cão late excessivamente, para podermos tentar identificar o que provoca essa vocalização e, assim, planejar o treinamento mais adequado.

Share and Enjoy !

0Shares
0 0

Compartilhe:

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on pinterest
Pinterest
Share on linkedin
LinkedIn