Psicólogo de cachorro: coisa de doido?

Photo credit: Aidras / Foter / CC BY-ND
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Por Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal. 

No que consiste a consulta?

No decorrer de uma consulta, o profissional procura entender qual é o problema comportamental do cão. Por exemplo: latidos excessivos, agressividade e automutilação. A situação é descrita em detalhes, e as pessoas dizem como tentam solucioná-la. Nessa hora, o profissional precisa ter bastante jogo de cintura e saber lidar com gente, porque freqüentemente os membros da família começam a discordar. Às vezes sai até briga.

Alguns desses problemas chegam a levar casais ao divórcio! Atendi uma moça que tinha recebido um ultimato do marido: ele sairia de casa se ela não se livrasse do cachorro. O motivo era que, quando o marido se aproximava da esposa, o cão o atacava. A esposa deixou claro para mim que, se não conseguíssemos resolver o assunto, iria se separar, já que amava o cão e não concordava com aquele tipo de imposição do marido. Graças a Deus, o caso foi resolvido e salvamos o casamento.

Uma vez compreendido o problema e as atitudes das pessoas em relação a ele, o profissional explica o que realmente está acontecendo e o que deve ser feito. Nessa hora, as pessoas costumam ter um insight e dizer: nós é que precisamos ser treinados!

E é exatamente isso. O especialista em comportamento animal recomenda novos comportamentos e atitudes para os humanos e, assim, procura alterar indiretamente o comportamento do animal. Na maioria das vezes, as pessoas estão fazendo tudo errado.

Quando aprendem como devem se comportar, é comum ocorrer uma mudança drástica no comportamento do cão, para melhor. Algumas pessoas dizem que até parece mágica.

As consultas costumam levar cerca de uma hora e devem ser feitas preferencialmente onde ocorre o problema. Normalmente, o conflito acontece na casa onde o cão vive. Por isso, o ideal é que o profissional vá até a residência do cliente para poder diagnosticar corretamente. A maioria dos cães se comporta de forma diferente conforme se encontre dentro ou fora de casa. Recomenda-se que todas as pessoas que interagem com o cão participem, para que possam colaborar com informações e ajudar na solução do problema.

Quem são esses profissionais?

Não existe formação obrigatória para poder atuar nesta área. Cabe ao contratante, portanto, verificar se o profissional tem experiência e condições para lidar com o caso em questão. Normalmente, as pessoas procuram este tipo de especialista por recomendação. Profissionais de nível superior que costumam atuar nesta área são: psicólogos, biólogos, veterinários e zootecnistas.

Problemas de longa data

Os cães estão sempre aprendendo e se ajustando ao meio em que vivem, por isso não desista de tentar resolver um problema que esteja prejudicando o cão ou a sua relação com ele, mesmo que o animal seja idoso.

O que se pode solucionar

Numerosos problemas de comportamento podem ser solucionados pela terapia comportamental. Os mais freqüentes são a agressividade por dominância, a ansiedade de separação, a compulsão e as fobias.

A maior dificuldade do especialista é conseguir a colaboração das pessoas que convivem com o cão. Não é fácil mudarmos o nosso comportamento, por mais simples que possa parecer. Algumas pessoas se sentem arrasadas quando tentam deixar de mimar o cão, mesmo sabendo que é para o bem dele.

Duração do tratamento

Normalmente bastam algumas consultas para o profissional identificar o problema e bolar uma estratégia para solucionar o caso. Muitas soluções acontecem em alguns dias, outras podem demorar meses e alguns problemas só diminuem de intensidade. Na maioria das vezes, o novo comportamento das pessoas da casa em relação ao cão deve ser mantido depois de o problema ter sido resolvido, para que não venha a se repetir.

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