Onicectomia: você sabe o que é?

SITE_gePor Tatiana Moreno

Onicectomia é o nome dado à cirurgia de retirada completa das garras dos gatos, um procedimento que gera interesse em tutores que desejam evitar arranhões e a destruição de seus móveis. Apesar de ainda ser realizada em algumas clínicas, essa prática foi proibida no Brasil, desde 2008, pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária e também é considerada crime nos Estados Unidos e nos principais países da Europa.

Como tudo isso funciona?

Considerando que as garras dos felinos são completamente removidas, não é difícil imaginar o quanto esse procedimento é prejudicial ao bem-estar dos animais. Porém, antes de falarmos sobre suas consequências, vale compreender melhor a anatomia das patas dos gatos e como essa cirurgia é realizada.

Diferentemente da maioria dos mamíferos, os gatos domésticos não apoiam toda a pata no solo para caminhar, utilizando apenas as falanges (dedos) para se deslocarem. Dessa forma, eles mantêm todos os músculos e órgãos devidamente alinhados, sustentando toda sua leveza e agilidade. A unha de um gato faz parte do último osso da pata, chamado de falangeta. Portanto, para que as garras não voltem a crescer, durante a cirurgia de onicectomia, os médicos veterinários precisam necessariamente amputar toda a falangeta, os tendões, nervos e vasos sanguíneos, alterando o formato da pata e, consequentemente, a forma natural de apoiá-la no solo, o que pode gerar muitas dores ao animal.

Onicectomia X Comportamento

Um estudo recente realizado nos Estados Unidos, publicado no Journal of Feline Medicine and Surgery e citado pelo site da revista Superinteressante comprovou a relação da onicectomia com problemas de saúde e comportamento, avaliando o histórico de 274 gatos, de tutores e de abrigos, que tiveram suas garras amputadas. Os cientistas aplicaram questionários que foram respondidos pelos responsáveis e realizaram radiografias de coluna e patas dos animais.

Em todos os questionários, foram relatados casos de problemas comportamentais, como necessidades fora da caixa de areia, agressividade (mordidas) por “motivos banais” e ingestão de grande quantidade de pelos. Com a análise clínica dos animais, os pesquisadores identificaram dores na coluna e nos membros inferiores, o que, na opinião deles, justifica os comportamentos de estresse, irritabilidade e o fato de os gatos evitarem entrar nas caixas de areia.

Patas precisam de garras!

Os gatos usam as unhas para se equilibrar, se defender, brincar, marcar território, se exercitar e alongar os músculos das patas, ombros e costas. Um felino sem garras fica privado de exercer todas essas atividades naturais e, consequentemente, se torna inseguro, desenvolvendo problemas comportamentais, além de sofrer com dores em sua estrutura óssea.

Como adestradores, temos a missão de contribuir para o bem-estar dos gatos domésticos, orientando os tutores sobre como podemos enriquecer o ambiente para suprirmos essa necessidade natural que eles têm de arranhar. É fundamental falarmos sobre a importância de disponibilizarmos arranhadores nos locais mais frequentados pelos felinos. Além disso, a criatividade é sempre muito bem-vinda. É possível elaborar arranhadores com materiais atrativos, como sisal e papelão grosso, que podem ser colocados na parede ou próximos aos braços do sofá, por exemplo. Existem também alternativas de capas que protegem os sofás e demais estofados, além de tecidos mais resistentes que podem revestir esses móveis, a fim de torná-los menos atrativos.

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