Cachorro mais feliz com enriquecimento ambiental e comportamental

Photo credit: sendaiblog / Foter / CC BY
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Por Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal.

Conheça várias dicas de estímulos e atividades que evitam tédio no cão e suas conseqüências, como compulsão (lamber a pata até feri-la, por exemplo), ansiedade de separação e destrutividade

Objetivo: manter o cão ocupado
Mente vazia, oficina do diabo, diz o provérbio… Você já pensou que o seu cão, enquanto faz coisas saudáveis e corretas, não incomoda pessoas nem destrói a casa ou se automutila? Ocupá-lo é também muito mais saudável do que simplesmente impedi-lo de fazer o que ele quer.

Como entreter
Todo mundo sabe entreter o cão levando-o para passear, brincando de cabo-de-guerra com ele ou atirando bolinha. Mas poucos sabem como entretê-lo enquanto conversam com alguém, vêem televisão ou dão atenção a uma visita.

A dica é preparar diversão para esses momentos. Vale tudo que entretenha o cão e que nos deixe livres para fazer o que quisermos. Existem algumas técnicas que utilizo para proporcionar esse tipo de entretenimento.

Busca por alimento
Esconda petiscos e estimule o cão a procurá-los. Com o tempo, ele passará a vasculhar cada pedacinho da casa, com a esperança de encontrar algo apetitoso. No início, procure facilitar a localização. Depois, pouco a pouco, torne a busca mais difícil. Crie novos esconderijos e dificulte o acesso cada vez mais. Para não estimular o cão a ir aonde você não deseja, evite colocar os petiscos nesses lugares.

Garrafa pet
Esse é um dos meus instrumentos preferidos, mas pode tornar-se um pouco barulhento, dependendo da estratégia utilizada pelo cão. O procedimento consiste em fazer uns furos laterais numa garrafa pet vazia. Deseja-se que, ao ser utilizada pelo cão, caiam alguns pedaços de petisco ou grânulos de ração previamente colocados. Essa é uma ótima maneira de dar ração em vez de simplesmente servi-la no pratinho de comida. No início, faça buracos maiores na garrafa, já que muitos cães podem desistir nessa fase. Aos poucos, dificulte e exija cada vez mais. Assim poderá proporcionar entretenimento por horas, até o cão conseguir tirar o último pedacinho de alimento de dentro da garrafa.

Roer e destruir
Ossos e brinquedos mastigáveis também são ótimas opções. Muitos cães gostam do desafio de destruir coisas, como arrancar pedaços de um bichinho de pelúcia, desde os olhos e o nariz até a espuma de dentro, despedaçar uma bola ou arrancar nacos de um osso de couro.

Conheço vários cães que adoram tirar o rótulo e a tampinha de garrafas pet! Muitos também apreciam destruir coco verde – a bagunça que fica com os fiapos restantes é fácil de limpar e o seu cão merece um bom passatempo!

Outra dica é embrulhar petiscos em pedaços de cartolina ou de papel e deixar o próprio cão rasgar a embalagem.

Embora destruição seja uma ótima terapia para o cão, preste atenção. Se ele for do tipo que engole tudo, só lhe dê objetos cujos pedaços sejam digeríveis e que não possam machucá-lo ou causar obstrução gástrica.

Criações do próprio cão
É impressionante como os cães criam as próprias atividades. Infelizmente, muitas vezes não estimulamos essas iniciativas ou até mesmo as reprimimos. É comum o cão ansioso descobrir que ter uma bolinha na boca para ficar mastigando o ajuda muito nos momentos de maior ansiedade. Um exemplo é o do cão que, quando percebe que terá interação com o dono, corre e agarra uma bolinha. Para ele, é importante ter sempre uma bolinha à disposição e, no entanto, muitas vezes o dono se livra da bolinha porque se tornou vício. O contato com esse objeto permite ao cão extravasar a ansiedade e conseguir não morder a mão do dono nem destruir algum objeto da casa.

Mais uma atividade de diversos cães é correr de um lado para outro quando estão muito ansiosos, incluindo, às vezes, dar voltas em torno da mesa de jantar. Em vez de reprimir o cão por fazer bagunça, deve-se procurar ajustar a casa para essa atividade. Por exemplo, fixar os tapetes no chão e tirar objetos que possam ser derrubados durante o percurso. Essa é também uma maneira de respeitar o cão. Afinal, ele talvez preferisse, se pudesse, pular em você ou rasgar sua roupa.

Ideias modernas sobre como dar bem-estar aos gatos

Photo credit: JerryLai0208 / Foter / CC BY-SA
Photo credit: JerryLai0208 / Foter / CC BY-SA

Por Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal.

Encontrar modos de detectar se o gato de estimação é criado em condições adequadas para seu bem-estar, com base em observações científicas, é um trabalho desenvolvido pela pesquisadora Irene Rochlitz, de Cambridge, na Inglaterra. Em breve ela publicará um artigo a respeito do assunto numa revista científica famosa.

Trabalhos como esses influenciam novas leis que determinam condições mínimas para ter animais de estimação. Na minha opinião, tais cuidados não devem ser avaliados como uma camisa-de-força, e sim como informações úteis para darmos vida mais digna aos animais que queremos ter a nosso lado.

Cada vez mais a sociedade, pressionada pela opinião pública e pelas associações de proteção aos animais, procura defender os direitos dos animais. Na maioria dos países, inclusive no Brasil, os maus- tratos constituem crime!

Alguns países se preocupam mais que outros com a proteção aos animais. Na Inglaterra, por exemplo, gatis, laboratórios e zoológicos precisam seguir à risca todos os cuidados impostos por lei e os estipulados por conselhos éticos e federações. Por isso, procuro estar sempre antenado com o que acontece por lá. Pode ser um possível norte para nós. É possível, ainda, aproveitarmos o que deu certo e rejeitarmos ou alterarmos o que não funcionou bem.

Maus-tratos
O que é considerado delito de maus- tratos? Espancar um animal e mantê-lo em local anti-higiênico são alguns dos crimes previstos em lei. À medida que o respeito pelos animais evolui, novas situações poderão ser consideradas como maus- tratos e incorporadas à legislação.

Cinco liberdades para o bem-estar
De maneira bem resumida, vou descrever os principais pontos considerados fundamentais para o bem-estar dos gatos, pela pesquisadora Irene Rochlitz. Ela utilizou a estrutura chamada “Cinco liberdades”, já adotada para animais de fazenda em países como Inglaterra, Canadá, Estados Unidos e Suécia. Essas liberdades são:

Liberdade 1: Estar livre de fome, de sede e de má nutrição;
Liberdade 2: Estar livre de desconforto;
Liberdade 3: Estar livre de machucados, de dor e de doença;
Liberdade 4: Estar livre para expressar comportamento normal da espécie;
Liberdade 5: Estar livre de medo e de estresse excessivo.

Pré-requisitos das liberdades

Estar livre de fome, de sede e de má nutrição:
É preciso oferecer ao gato, no mínimo, duas a três refeições por dia, balanceadas de acordo com a fase do desenvolvimento em que se encontra, em quantidade que não o deixe magro demais nem obeso. Se o gato não estiver obeso, não constitui maus-tratos manter comida permanentemente ao alcance dele. O acesso a água fresca e potável deve ser possível a qualquer momento.

Estar livre de desconforto:
Significa que o gato necessita de uma área adequada, com luminosidade apropriada (curiosidade: os gatos não enxergam no escuro total!), isenta de odores muito fortes, de temperaturas extremas e que permita abrigar-se do sol, do vento e da chuva. O nível de ruídos deve ser baixo. A área precisa ser mantida limpa.

Estar livre de machucados, de dor e de doença:
Os cuidados abrangem manter o gato sem parasitas internos e externos, com a vacinação em dia e, sempre que necessário, com acesso imediato a veterinário. É preciso, também, que o gato esteja identificado por meio de coleira ou microchip.

Estar livre para expressar o comportamento normal da espécie:
Brincar e se relacionar com outros gatos e humanos, além de caçar, são comportamentos cuja manifestação deve ser livre para o gato. A caça a presas reais tem causado polêmica. Os argumentos são que o animal caçado acaba não tendo seus direitos preservados e que a prática pode causar desequilíbrio ambiental, com impacto negativo para a ecologia. Pode-se substituir a caça por brinquedos e brincadeiras que a simulem.

Estar livre de medo e de estresse excessivo:
Não se deve submeter o gato a estímulos que possam provocar reações como pânico ou medo contínuo. A preocupação deve ser com relação à reação causada no gato e não com o estímulo em si. Por exemplo, a presença de visitas na casa pode ser agradável para um gato e ameaçadora para outro. Quem zela pela existência das cinco liberdades permite que o gato usufrua ótima qualidade de vida.