Gatos devem ser livres?

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Por Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal.

Um dos temas mais discutidos na internet, em comunidades do mundo inteiro, é a conveniência ou não de deixar o gato sair de casa para dar suas voltas. Diversos enfoques são levados em conta, mas não encontrei consenso quanto à melhor atitude a tomar. Neste artigo procuro discutir os diversos aspectos envolvidos na questão.

Situação atual
A maioria dos gatos que mora em casa tem livre acesso à rua, pelo menos em determinado período do dia. Noto que, tanto no Brasil como em diversos outros países, o hábito de deixar o gato passear é tão comum que portinholas para sair e entrar são itens normais em catálogos de produtos para pets. Privar o gato da liberdade é uma grande responsabilidade, principalmente se ele for bastante ativo e explorador. Alguns gatos, impedidos de sair por viver em apartamento, acabam se machucando e até morrendo ao pular de prédios. Esses acidentes, que poderiam ser evitados se os proprietários colocassem tela nas janelas, são um bom indicativo da grande motivação felina para explorar novos locais.

De outra parte, apesar de comum, a permissão de livre acesso à rua expõe o gato a diversos perigos, além de ser uma atitude polêmica sob o ponto de vista comunitário, já que, diversas doenças e parasitas podem ser espalhados pelos gatos andarilhos. É fato também que os não castrados acasalam com facilidade, contribuindo assim, para aumentar a quantidade de animais abandonados.

Refletir sobre as consequências de cada opção fica mais fácil quando levamos em conta os vários aspectos envolvidos.

O prazer da liberdade
Os gatos são animais exploradores, caçadores e curiosos. Parte deles estando em liberdade, anda mais de dois quilômetros por dia, caçando dezenas de insetos, pássaros e outros animais. Outros, mesmo tendo a possibilidade de sair, preferem desfrutar da segurança e do conforto que a casa oferece. A variação comportamental decorre de características de cada raça e de cada indivíduo. Os indivíduos mais calmos e menos ativos são os que costumam ser mais caseiros.

Efeito da castração
Na maioria dos casos, a necessidade de defender o território e de explorar o ambiente em busca de parceiros sexuais diminui consideravelmente com a castração. Também diminui a chance de um gato castrado saltar da janela de um prédio. Talvez possamos concluir que a adaptação de um gato a espaços restritos torna-se mais tranquila se ele for castrado.

Não é verdade que a castração deixa o gato preguiçoso e desestimulado. Muitas vezes, a energia antes gasta em busca de parceiros sexuais passa a ser utilizada para brincar e interagir com o proprietário.

Perigos e acidentes comuns
Por mais esperto que o gato seja, viver em liberdade, principalmente em cidades, envolve riscos. Diversos proprietários que agora restringem o acesso à rua já perderam um gato de maneira trágica.

O acidente mais comum é o atropelamento. Mesmo que o gato more numa rua calma, se ele for um dos que andam bastante, pode chegar a lugares mais movimentados.

Envenenamento é outro perigo. Seja por ingerir veneno colocado para matar ratos, por contaminação com produtos químicos ou como vítima de uma ação proposital. Se não bastasse, o gato também pode ser atacado. A grande maioria dos cães não permite a entrada de gatos em seu território e adora persegui-los.

Problemas com a vizinhança
Muitas pessoas se consideram desrespeitadas quando vêem sua propriedade invadida por um animal de outra casa. O incômodo e a irritação aumentam quando alguém encontra um gato de terceiros dormindo em cima de seu carro ou tentando caçar passarinhos e agarrar peixes do aquário de sua casa. Uma pessoa que conheci teve alguns de seus peixes Betas roubados por um gato invasor – e no quintal havia um Dogue Alemão que odiava gatos!

Conclusão
Acho importante levar todos esses pontos em consideração. E, caso a escolha seja por privar o gato da liberdade de passear, devemos proporcionar a ele brincadeiras e enriquecimento ambiental. Criar, enfim, situações estimulantes. Na matéria “Aumente o bem-estar do seu gato”, da revista Cães e Cia 286, há sugestões interessantes nesse aspecto.

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