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Emoção e inteligência com os animais

Postado por Cão Cidadão em 10/Jan/1999 -

O adestrador de "Tainá 2" conta os segredos para obter o melhor dos animais

Uma das principais atrações do filme "Tainá 2", atualmente em cartaz no país, são as performances mirabolantes de diversos animaizinhos que, em plena Amazônia, ajudam crianças a combater uma quadrilha de traficantes de espécimes raras. Naturalmente essas "atuações" não são frutos de imagens captadas ao acaso, mas sim do trabalho de adestradores contratados para garantir a viabilidade das cenas. "A boa notícia é que, utilizando os comandos certos, qualquer pessoa pode conseguir resultados como vistos no filme com os seus animais de estimação", afirma o adestrador Alexandre Rossi, responsável no longa-metragem pelo treinamento de um filhote de jaguatirica e por três cãezinhos da raça West Highland White Terrier, mais conhecidos hoje em dia no Brasil como cachorrinhos "IG".

Atualmente, o livro está na 11ª edição e com mais de 50 mil exemplares vendidos, o autor Alexandre Rossi revela que pelo menos em relação aos cães, é possível obter resultados semelhantes aos vistos no filme em pouco tempo, bastando para isso seguir os conselhos do livro. "O segredo para treinar os animais e entender o raciocínio deles, e não esperar o inverso", diz. Segundo Rossi os cachorros acreditam que os membros da família humana são também cães. Dessa forma, em diversas ocasiões eles tentam se tornar líderes da "matilha", demarcam o território e agem como se quisessem dar ordens ao restante do grupo. "Quando o animal percebe que o líder é outro, de preferência o seu dono, os erros comportamentais são superados e ele torna-se muito mais receptivo para o adestramento", afirma Rossi.

O filme
No caso de "Tainá 2", os três cães adestrados para fazer o papel do cãozinho "Boris" tinham cerca de quatro meses e jamais haviam recebido qualquer tipo de treinamento. Em menos de um mês, seguindo todas as técnicas descritas em seu livro, o adestrador os ensinou a rodopiar de pé, ir para a direção esperada nas filmagens, obedecer ao comando "ação!", pular de barcos para a água, interagir com outros animais sem demonstrar medo, etc.

Rossi afirma que adestrar animais, apesar de ser uma tarefa simples, exige paciência, persistência e – acima de tudo – muito respeito para com os bichinhos. "Tudo tem de ser feito na base do amor, do humor e bom senso, sem nunca, jamais, se recorrer à violência", ressalta. "Assim, os resultados serão muito mais positivos e todos sairão ganhando: o dono, pela conquista de um animal que o ama e o respeita incondicionalmente; e o próprio animal, agora mais seguro e feliz".

No caso das filmagens de "Tainá 2" essa seriedade foi comprovada pelo próprio Ibama. Em várias visitas às filmagens, o órgão de defesa dos animais aprovou os cuidados e as instalações destinadas aos bichinhos.

A grande maioria das cenas do filme foi realizada na própria Amazônia. Como as locações eram muito quentes, os animais que não estavam filmando ficavam em barracas com ar refrigerado, o mesmo luxo não era possível para o restante da equipe devido às limitações de espaço e energia elétrica dos locais.

De acordo com Rossi, foram filmadas cerca de 300 cenas com os bichinhos adestrados e nenhum deles se machucou. "E praticamente todas as cenas foram mantidas na versão final, pois as sessões-teste comprovaram que as partes do filme com os animais estavam entre as preferidas pelas crianças".

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