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Revista Veja, 19 de dezembro de 2001
Em hotéis especializados, cães nadam em piscinas aquecidas, fazem esteira e ganham ceia no Natal
Marcella Centofanti
Festas de fim de ano e férias podem ser períodos de dor de cabeça para donos de animais de estimação. Afinal, o que fazer com o bichinho na hora de preparar as malas? Para quem não pode carregá-los, uma boa solução são os hotéis especializados. Hoje existem pelo menos quinze na cidade, além de dezenas de clínicas veterinárias que servem de hospedaria. Muitos oferecem acomodações simples. Em outros, porém, os cachorros (e eventualmente os gatos, que não são aceitos em todos) usufruem mordomias surpreendentes. O totó entra em crise de solidão com a ausência da família? Nenhum problema. Um funcionário do Quatro Patas, no Butantã, pode dormir com ele. Ah, em quartos com ar-condicionado. A comida, que inclui café da manhã com queijo branco, levedura de cerveja e bolacha de água e sal, é controlada por nutricionistas. Antes do cardápio do almoço (carne de coelho e arroz integral), eles degustam maçãs. No Natal, terão direito a uma ceia especial: bolo de ração importada. Há escovação de dentes e professores de educação física para promover atividades, como a corrida de saco. "A brincadeira é excelente para desestressar o animal", garante o proprietário, Francisco Pedra. A diária custa entre 50 e 70 reais (veja quadro). É mais do que um ser humano gasta por dia no Formule 1, hotel francês de categoria econômica que chegou a São Paulo em agosto.
O Palo Verde, com diária mais em conta, é um interessante refúgio para os cães que tanto se assustam com o barulho dos fogos de artifício no réveillon. Fica em Campo Limpo, numa área verde de 100.000 metros quadrados. O Cãotry Club, na Saúde, funciona como uma espécie de spa canino: rações light e programação de ginástica, que inclui exercícios na piscina aquecida. Atividade física também é o diferencial do Férias do Dono. A cada dois dias, os cachorros correm na esteira por trinta minutos numa velocidade de 6 quilômetros por hora – o equivalente a uma hora e meia de caminhada. Como alternativa, o animal pode continuar morando em sua casa enquanto os donos viajam. Ele será atendido por um funcionário do hotel, que limpa a sujeira, dá comida, brinca e leva para passear. Há dois anos, a dona-de-casa Fernanda Lico utiliza esse serviço. "'Rolly' toma conta da casa enquanto estamos fora", conta ela, referindo-se a seu rottweiler. "Quanto menos mudança, melhor", diz Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal. Para que o bicho não sofra tanto, Rossi aconselha deixá-lo com seus brinquedinhos preferidos. "Se ele não se adaptar, pode urinar em todos os cantos, destruir objetos e até se automutilar", afirma.
Seja qual for a escolha, é importante que sejam seguidos alguns critérios. "Veja se o hotel exige vacinas em dia e atestado de saúde", alerta o veterinário Rogério Arno Miranda, secretário-geral do escritório paulista da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais. "Enquanto a sociedade não admite animais em hotéis convencionais, os especializados são uma excelente solução", diz a psicóloga e veterinária Hannelore Fuchs, presidente-fundadora da Associação Brasileira de Zooterapia.
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